"A partir dos quatro ou cinco anos, o discurso da criança deve ser compreensível, mas há casos de crianças que, apesar de não terem qualquer problema cognitivo, têm dificuldade em se fazer entender pelos adultos, devido à omissão ou troca de sons no seu discurso", explicou à agência Lusa a terapeuta da fala Marisa Lousada, da Escola Superior de Saúde da UA.
Segundo a investigadora, o teste fonético-fonológico para avaliação de linguagem pré-escolar (TFF-ALPE) permite analisar a capacidade de produção de sons orais das crianças portuguesas e a correção atempada com recurso à terapia da fala.
"Há imensos adultos que falam à ‘sopinha de massa’ e nunca aprenderam a colocar a língua na posição correta, o que lhes cria dificuldades no dia a dia e limita as suas escolhas profissionais. Veja-se o exemplo de um apresentador de televisão ou de um ator", exemplifica.
Na maior parte dos casos, são perturbações articulatórias (incapacidade de produzir determinado som) ou fonológicas (não utilização dos sons corretos) que podem ser solucionadas antes de a criança ir para a escola, se forem detetadas precocemente.
Os instrumentos até agora utilizados não possuem dados normalizados relativos às crianças falantes do português europeu e é essa lacuna que o TFF-ALPE vem colmatar, pelo que se assume como um teste fundamental no rastreio, avaliação e diagnóstico das perturbações articulatórias e fonológicas das crianças portuguesas.
A sua conceção recorreu a elementos comuns a 768 crianças com desenvolvimento normal, do continente e ilhas, para definir os dados padrão, sendo o teste constituído por um livro de imagens (que induzem a produção nas crianças) e pelas respetivas folhas de registo dos resultados.
"É essencial fazer uma avaliação nesta faixa etária, entre os três e os cinco anos, porque os problemas (...) podem, mais tarde, ter uma repercussão na aprendizagem da leitura e da escrita", reforçou Marisa Lousada.