29 de Junho de 2012, 08:11

Próximo domingo terá mais um segundo devido à diminuição da velocidade de Terra

Próximo domingo terá segundo intercalar 00:59:60 Próximo domingo terá segundo intercalar 00:59:60 Imagem: SXC

Nota da redação do SAPO Notícias: este texto foi revisto pela LUSA e substitui o publicado esta manhã, que continha incorreções. Agradecemos as chamadas de atenção dos nossos leitores. Última edição: 19h55.


A decisão segue uma recomendação da entidade internacional que estuda a relação entre a rotação da terra e a medição do tempo atómico, o International Earth Rotation Service (IERS).

A redução da velocidade é devida à força gravitacional que a Lua exerce sobre a Terra, à diferença que essa ação produz na superfície do planeta e no seu centro, sendo responsável pela existência de marés nos oceanos, ao levar a água a deslocar-se de um lado para o outro nas longas superfícies marítimas do planeta.

A alteração, no caso português, passa por contar mais um segundo à hora oficial no domigo, em Portugal Continental e na Madeira, introduzindo um "segundo intercalar" entre as 00:59:59 e a 01:00:00, que terá a designação 00:59:60. Nos Açores, o processo decorrerá entre 23:59:59 de sábado e as 00:00:00 de domingo e o segundo introduzido extraordinariamente na contagem é o 23:59:60, de acordo com a autoridade portuguesa que estabelece e fornece a hora legal do país, o Observatório Astronómico de Lisboa (OAL).

Este tipo de acerto é feito no final dos meses de junho ou dezembro e começou a ser realizado em 1972, ano desde o qual foi realizado 24 vezes, de acordo com o OAL.

O diretor do Observatório, Rui Agostinho, explicou à agência Lusa que a redução da velocidade de rotação produz um aumento do tempo que a Terra leva a concretizar uma volta em torno do seu eixo, que equivale a um dia, é regular e calcula-se que vai prolongar-se de modo a que dentro de 4.600 milhões de anos, se o planeta ainda existir, irá aproximar-se dos 53 dias atuais, de acordo com as previsões científicas.

A redução da velocidade é devida à força gravitacional que a Lua exerce sobre a Terra, à diferença que essa ação produz na superfície do planeta e no seu centro, sendo responsável pela existência de marés nos oceanos, ao levar a água a deslocar-se de um lado para o outro nas longas superfícies marítimas do planeta, explicou o investigador.

Esta questão vai ser abordada numa das dez mini-palestras, integradas na iniciativa "Noites do Observatório", que decorrem no sábado, depois das 21:30, nas instalações do OAL, na Tapada da Ajuda.

O relógio marcar mais ou menos um segundo pode parecer indiferente, mas na atualidade pode ser determinante para falhar um prazo.

“Num segundo pode-se perder ou ganhar muito dinheiro” nas bolsas de valores, exemplificara, em anteriores declarações à Lusa, o diretor do OAL.

Depois de ter sido medido através da observação dos astros, com ampulhetas, relógios de sol, mecânicos ou eletrónicos, chegou-se aos relógios atómicos que mantêm o tempo na atualidade.

Só que a regularidade destes equipamentos, que funcionam com base nas caraterísticas de um metal chamado césio, não se compadece com as oscilações no movimento de rotação da terra, e sustenta, Rui Agostinho, desde 1958 as máquinas já contam com um avanço de 34 segundos em relação ao tempo solar médio, ou hora legal.

Aquando da introdução do tempo atómico, há 53 anos, foram feitas as contas que determinaram a duração da unidade de tempo que é o segundo (Sistema internacional de Unidades), a partir da subdivisão de um dia completo em 24 horas, depois em minutos e finalmente em segundos.

SAPO

Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico.

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