"À meia-noite de hoje deixarei a internet. Vou abandonar uma das cinco melhores inovações tecnológicas de sempre, para mim, em busca de um pouco de paz e calma". É assim que começa o manifesto de Paul Miller.
O jornalista americano da revista tecnológica, The Verge, decidiu viver sem internet no trabalho e na vida pessoal durante um ano porque se sentia demasiado envolvido com a tecnologia.
"Sinto-me como se tivesse apenas visto a internet de perto. Ela tem estado muito presente na minha vida há mais de dez anos e eu estou, em média, mais de 12 horas diárias ligado (laptop, iPad, Xbox). Até o meu smartphone cria esse ambiente de internet", escreve no texto de "despedida" publicado no dia 30 de abril.
"Ao separar-me da conetividade constante, vou poder ver quais os aspetos que são verdadeiramente valiosos, os que são distrações para mim, e o que corrompe a minha alma", acrescenta. Além da componente pessoal, como jornalista tecnológico Miller quis tentar perceber se a internet é o "oxigénio da eletrónica" ou se é apenas uma "peça importante".
Assim, não terá acesso em momento algum à internet. Utilizará apenas um telemóvel sem internet e os correios tradicionais para comunicar. No trabalho, fará tudo à moda antiga, sem carregar ficheiros na internet, sem aceder a comentários online aos seus artigos nem a fóruns. A pesquisa para os seus trabalhos será feita em bibliotecas ou pessoalmente e apenas vai ler jornais e revistas em formato papel. "Pode ser o céu, pode ser o inferno", remata.
Uma das coisas de que mais sentirá falta é de jogar StarCraft com os amigos do liceu via streaming. "No pior dos cenários, daqui a um ano irão encontrar-me a vaguear na floresta, a ditar links para mim próprio", brinca.
"Foi como se a escola tivesse terminado e as férias de verão estivessem à porta"
A experiência de Paul tem sido publicada na Verge sob a forma de um diário. Vai utilizar apenas uma pen drive onde descarregará os textos, que serão inseridos na internet pelos seus editores e fará algumas aparições vídeo em canais da revista.
Fora do mundo online desde 1 de maio, relata que sentiu uma espécie de libertação quando desligou o cabo da internet do computador. "Foi como se a escola tivesse terminado e as férias de verão estivessem à porta", escreve.
"Levantei-me, espreguicei-me e fui jogar videojogos por algumas horas. Tudo que faltava era um puff e barras de queijo mozzarella e teria tido 12 anos outra vez". A primeira tentação aconteceu logo na manhã do primeiro dia quando pegou no iPad e deu conta que tinha tweets em cache, que tinham ficado por ler antes de desligar a internet na noite anterior.
"Ou aumentavam o meu ego ou esvaziavam-no. Eu estava muito curioso (...) Então apaguei todas as aplicações que implicam ligação à internet do meu iPad. Adeus Twitch.tv: vou sentir a tua falta mais do que tudo".
Quatro dias depois, o jornalista confessa que ainda não entrou no ritmo da nova vida. "Tenho escrito e lido um pouco e tenho relaxado muito. Não sei como serão os próximos tempos. O que sei é que estou a adorar", remata no post que escreveu no dia 2 de maio.
Notícia atualizada às 15:02.