Os jovens portugueses acham que fazem um uso excessivo da internet, mas, curiosamente, Portugal é um dos países 25 países analisados no projeto EU KIDS ONLINE II que apresenta baixa frequência no uso da internet.
Face a esta discrepância de dados, Cristina Ponte avança com a hipótese de existir uma forte relação entre a grande preocupação dos pais e algum sentimento, por parte dos jovens, de que estão tempo a mais a navegar. Ou seja, na verdade, o número de horas que os jovens portugueses passam online está dentro da média, apesar de os pais o considerarem excessivo.
Aqueles que declararam usar em excesso a internet, não apresentam menor autoestima, muito pelo contrário, são pessoas que buscam sensações na internet e fora dela, ou seja, “procuram de forma mais ativa viver certas experiências”, refere a investigadora.
Cristina Ponte frisou ainda que estes são “os que tiram mais partido dos recursos (fazem mais downloads de vídeos e músicas), são os que declaram mais competências informáticas e são também os que correm mais riscos offline”.
“O risco não coincide necessariamente com o dano”, explica a investigadora, acrescentando ainda que a ideia de vício na internet não se confirma como um fenómeno psicológico em Portugal.
“Nós queremos contrariar um pouco a ideia que passa do risco como algo negativo. O risco pode conter algo negativo se não soubermos lidar com ele, mas é o que nos leva à oportunidade. Este é um novo enquadramento”, remata a Cristina Ponte.
A mediação ativa parece ser a forma mais eficaz de proteger os mais jovens dos potenciais perigos da internet. Para que isso aconteça os encarregados de educação e professores têm de substituir o controlo por uma atitude de envolvimento. Isto significa que devem acompanhar a experiência da internet de uma forma regular.
E, contrariamente ao que se possa pensar, a investigação levada a cabo por Cristina Ponte mostrou que para os jovens é importante o envolvimento dos país e professores. “A ideia de que os jovens não querem saber o que os adultos dizem não se verifica”, assegura a investigadora.
O problema está no facto de, muitas vezes, os próprios adultos não estarem preparados para esta interação. Cerca de 40% dos pais portugueses declara que não usa a internet.
Tito de Morais, fundador do projeto MiudosSegurosNa.Net, defende que "a aproximação de gerações é essencial" e que é possível os pais e avós aprenderem a navegar com os filhos, sobrinhos ou netos.
“Os nossos filhos e os nossos netos percebem muito mais de tecnologia do que nós, país, avós, tios... mas nós temos uma experiência acumulada ao longo de um maior número de anos de vida. Na fusão dessas duas experiências nasce uma internet mais segura”, defende Tito.
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