A pesquisa já está em curso há muito mas só em 2013 é que a História da Ilustração Portuguesa deverá ver a luz do dia. Jorge Silva, designer e diretor de Arte (que também já trabalhou como ilustrador e fez nos últimos anos parte da Ilustrarte – Bienal de Ilustração para a Infância) tem centrado a atenção na ilustração em livros mais do que em jornais e revistas devido à dificuldade de apanhar o rasto aos últimos.
“É preciso ser maníaco”, diz Jorge Silva ao SAPO Notícias. Tem comprado compulsivamente livros, tem mergulhado em alfarrabistas, na Hemeroteca de Lisboa e na Biblioteca Nacional para construir esta História da Ilustração Portuguesa que até hoje não foi contada.
A História da Ilustração Portuguesa, conta-nos Jorge Silva, deverá começar em 1909. Em Portugal a data coincide com o movimento de rutura de artistas visuais de Coimbra que lançaram a primeira pedra do modernimo português contra a arte naturalista. “Essa baliza é interessante porque a partir daí a ilustração ganha uma qualidade estética e gráfica autónoma e não se limita a reproduzir o real. A maneira como o ilustrador faz é também a história da própria ilustração, e isso interessa-me muito”.
"A maneira como o ilustrador faz é também a história da própria ilustração, e isso interessa-me muito” Jorge Silva
Por agora está concentrado nos sécs. XX e XXI, já que a investigação do séc. XIX lhe vai tomar “muitos anos”, confessa. Independentemente disso, um traço comum é o interesse por contar histórias dentro desta História que tenham valor de “prática contemporânea”, ou seja, que permitam identificar tendências, movimentos, até influências nos dias de hoje.
No blogue Almanaque Silva tem contado algumas destas histórias, focadas em livros ou em autores isolados, numa espécie de crónicas jornalistas. Um exercício que se faz a par da investigação que está a fazer e que já lhe permite dizer que não existe uma “maneira portuguesa” de ilustrar.
Ilustração Infantil é hoje “porto seguro da produção editorial”
Parte importante da História da Ilustração em Portugal passa pela Ilustração Infantil. Este ano em destaque por Portugal ser o país convidado da Feira do Livro Infantil de Bolonha, a ilustração infantil tem crescido nos últimos anos (em número de ilustradores, de livros, de editoras) e é uma espécie de “porto seguro para a produção editorial”. Ainda assim, Jorge Silva (cujo ateliê Silvadesigners é autor da imagem gráfica do Portugal-Bolonha 2012) diz que este é um “boom” precário, tendo em conta a dimensão reduzida do país. “A escala, o tamanho, é fundamental”, afirma. Bolonha pode por isso revelar-se uma montra ainda mais importante este ano para os ilustradores nacionais. Para que a História da Ilustração Portuguesa chegue cada vez mais além fronteiras.