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07 de Julho de 2012, 10:08

Prisões

Suicídios quadruplicaram no 1.º semestre deste ano face a 2011

De 01 de janeiro a 25 de junho deste ano, morreram 26 reclusos nas 51 cadeias portuguesas, 18 dos quais devido a doença, e oito por suicídio, segundo dados solicitados pela Lusa àquele organismo.

No primeiro semestre de 2011, o número de mortes foi superior, tendo atingido as 35 - duas por suicídio e 33 por doença.

Contactado pela Lusa para comentar estes dados, o professor catedrático de psicologia forense Carlos Poiares alegou a necessidade de se fazer “alguma reflexão e algum estudo sobre o assunto”, considerando "elevado" o número de oito suicídios, em seis meses.

“Claro que é positivo que haja menos mortes nas cadeias, e negativo que nos apareça um número elevado de suicídios; oito já é um número que, creio, se pode considerar elevado”, observou.

Os “suicídios nas cadeias podem ter várias leituras”, sustentou.

Penas elevadas de que os reclusos tenham sido notificados sem contarem com uma medida tão severa, quebra de vínculos com o exterior que não saibam gerir, eventual insuficiência de acompanhamento psicológico, podem, para o psicólogo forense, ser causas de suicídio.

O efeito de crise, que se reflete na cadeia e nos reclusos, levando-os a ter a perceção do mundo exterior e do que afeta as próprias famílias são, segundo o diretor da Faculdade de Psicologia da Universidade Lusófona, outras hipóteses a ponderar.

Para Carlos Poiares é também importante saber se nos suicídios ocorridos em meio prisional já existia uma “situação prévia de patologia mental ou de ideação suicida, que apenas a cadeia tivesse vindo a agravar”, referiu.

Saber se são reclusos em prisão preventiva ou já definitivamente condenados, e conhecer “a dimensão das medidas”, nomeadamente se foram “penas severas” que “terão vindo ao arrepio do que era expectável para os próprios reclusos”, são outros fatores que podem estar na origem do fenómeno, disse.

“É necessário, para podermos comentar esses números, ter uma perceção de cada caso por si e, [no conjunto], não é possível, antes pelo contrário, percebermos qual é a história de reclusão de cada um desses sujeitos, se estavam presos há muito tempo, se eram pessoas que tinham iniciado o contacto com a cadeia e também as condições de cada estabelecimento em si mesmo considerado”, frisou.

Carlos Poiares admitiu, porém, que aqueles números da DGSP lhe suscitam dois “comentários imediatos”.

“A necessidade urgente de os serviços públicos estudarem o fenómeno e falarem sobre ele” para que possam ser estudados sem “a ideia de uma reação à flor da pele que, depois, não é consumada em elementos mais aprofundados”, disse.

“E, em segundo lugar, uma coisa, que é antiga no nosso país e em quase todos os países: a necessidade de se repensar cada vez mais o sistema prisional e de se desenvolverem estratégias cada vez mais inclusivas dentro da prisão, preparando, necessariamente, a saída do espaço prisional”, concluiu.

SAPO

Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico.

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