Mas muito separa a Mima Housing da casa Polikatoikea. Uma já está estabelecida no mercado nacional e internacional; a outra ainda está no papel, mas é bem provável que possa ser concretizada em breve.
Marta Brandão e Mário Sousa, arquitetos, são os criadores da Mima Housing, uma casa pré-fabricada que tem como principal característica a personalização e qualidade.
“Criámos a Mima com a intenção de democratizar a arquitetura e disponibilizar o acesso a um produto de qualidade arquitetónica a um preço reduzido e num curto espaço de tempo”, explica ao SAPO Notícias Marta Brandão a partir da Suíça, onde trabalha com Mário Sousa.
O preço desta casa é convidativo: 36.900 euros, para um módulo de 57 metros quadrados de área bruta, que é construído em dois meses. “A grande diferença da Mima relativamente às casas pré-fabricadas reside na possibilidade de personalização”, realça a arquiteta.
“O cliente pode ser arquiteto da sua própria casa e decidir as divisões internas, as paredes e janelas exteriores e todos os acabamentos. A casa preserva-se como organismo mutável, capaz de ser alterado pelo cliente sempre que este desejar”, completa Marta Brandão.
Esta casa pré-fabricada que prima pelo design e por materiais de qualidade já está presente no Brasil, Chile, Estados Unidos, Canadá, entre outros países. Em Portugal, onde é mais vendida, a Mima tem desde abril um espaço em Viana do Castelo, “onde os clientes podem ver a casa de perto”, diz Marta Brandão.
O projeto recebeu o prémio Archdaily Edifício do Ano 2011. O prestigiado site de arquitetura referiu a Mima como sendo "a melhor cada do mundo" e destacou a capacidade de produzir uma arquitetura de qualidade de uma forma industrial, low cost e acessível a todos.
Uma casa por mil euros
A pensar num estilo de vida descomplexado e citadino, os arquitetos Filipe Magalhães e Ana Luísa Soares idealizaram a casa Polikatoikea, que junta inspirações tão diversas como a Torre Nakagin de Kisho Kurokawa e a Maison Domino de Le Corbusier.
Casa PolikatoikeaFotografia: DR
A casa é uma “cápsula de 6 metros quadrados com duas divisões”. “Um quarto/sala e um quarto de banho, todos os espaços são aproveitados com grande ergonomia e cada armário desdobra-se em diversas funções e possibilidades”, explica ao SAPO Notícias Filipe Magalhães.
O projeto ganhou, no ano passado, o primeiro prémio no Re'Build Open Ideas Competition e agora a dupla de arquitetos procura vender a ideia a alguma empresa.
“Neste momento estamos em contacto com diferentes empresas que demonstraram interesse em avançar para a execução do projeto e cada vez mais parece possível que ele venha a existir”, destaca Filipe Magalhães que, juntamente com Ana Luísa Sores, está a estagiar na Suíça. A dupla segue depois para o Japão mas pretende estabelecer-se em Portugal quando finalizar a formação profissional.
O nome dado à casa traz nele uma marca. Se Polikatikia faz referência à legislação grega dos solos, Ikea é um elogio à filosofia da empresa sueca. E seria possível comprar uma cápsula destas naquela loja? “Não sabemos, não parece o modelo de produto que lhes interessasse dado que engloba um nível superior de complexidade”, refere o arquiteto.
Certo é que o projeto, saindo ou não do papel, serviu para repensar o conceito de habitação urbana. “Não faz sentido continuar a explorar apenas uma possibilidade. O presente é um lugar de exploração e divulgação de informação e não podemos continuar a viver de uma hipótese apenas. Há espaço para diferentes modalidades de habitação”, conclui Filipe Magalhães.