"Tal como os governos anteriores este Governo adota a mentira como estratégia política central, oculta a realidade, mente sobre os compromissos que assume, mente sobre o que faz e quer fazer e sobre o que lhe mandam fazer", defendeu Jerónimo de Sousa.
O secretário-geral do PCP falava no encerramento da VI assembleia da organização do setor intelectual da Organização Regional de Lisboa do PCP, na Casa do Alentejo, em Lisboa.
Jerónimo de Sousa argumentou que o "projeto de afundamento do país" do Governo vem "acompanhado de uma cínica operação de propaganda, sempre a anunciar um curto período de sacrifícios, a troco de um amanhã de recuperação, prosperidade, emprego, cuja data nunca chega, nem chegará".
Nesta "operação", nas últimas semanas "têm-se multiplicado os anúncios transformados em lapsos e os lapsos transformados em anúncios, os balões de ensaio que acompanham novas medidas anti-sociais anunciadas em catadupa.
Para o PCP, o que o Governo chama de reformas estruturais é "o desmantelamento do sistema de proteção social a todos níveis" , condenando a "renovada ofensiva na redução e liquidação dos apoios sociais" e a destruição do "papel do sistema público de segurança social, na qual se introduz também o plafonamento das contribuições".
Jerónimo de Sousa afirmou que o PCP sente que se vive um "ponto de viragem" no país, pelou à ida para a "rua", "sem meias-tintas", já no 1.º de Maio, depois de no 25 de Abril o "fundamental" não terem sido as "ausências", numa referência à ausência da associação 25 de Abril, do antigo Presidente da República Mário Soares e do ex-candidato presidencial Manuel Alegre das comemorações oficiais.
"O fundamental não foram as ausências, foram as presenças na rua, impressionantes pelo número, impressionantes pela diversidade, impressionantes pela presença da juventude, impressionantes pela convergência de objetivos que as animou", declarou.
A "jornada" do 1.º de Maio "neste ano de ofensiva brutal em todas as direções contra os interesses populares, é ainda mais necessária, importante e determinante a luta dos trabalhadores e das populações", afirmou.
Essa luta, defendeu o líder do PCP, "tem-se vindo a desenvolver apesar das chantagens, das manobras de intimidação, da desmobilização, das ameaças, dos apelos à resignação, à passividade e ao conformismo".
Maio será "um mês de luta", com desfiles e comícios, em 12 de maio, no Porto, e em 26 de maio, em Lisboa, disse.