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20 de Setembro de 2012, 16:27

Lisbon in Motion

Investigadores fazem radiografia de um sismo em Lisboa

A Baixa de Lisboa vai ser alvo de um estudo de caso sobre análise sísmica até domingo A Baixa de Lisboa vai ser alvo de um estudo de caso sobre análise sísmica até domingo Imagem: Alice Barcellos/SAPO

O workshop Lisbon in Motion vai reunir 60 jovens investigadores de várias partes do mundo (20 nacionalidades) para analisar o risco sísmico em edifícios da capital.

A cidade de Lisboa, em especial a Baixa, vai tornar-se num “caso de estudo”. Dois edifícios situados na rua do Alecrim vão ser os exemplos analisados durante o workshop. “Os participantes vão estudar cada edifício, fazendo a análise sísmica do início até ao fim”, explica ao SAPO Notícias Alexandre Costa, um dos organizadores do Lisbon in Motion.

A análise vai passar por “perceber onde se gera o sismo”, “como é que o sinal sísmico se propaga da fonte até ao local de estudo, passando também por análises geotécnicas”, até chegar ao edifício em questão. Aí, vão-se “prever os mecanismos de colapso”, ou seja, perceber se o edifício fica ou não de pé depois do tremor de terra.

Os investigadores vão começar por perceber “quais os cenários sísmicos” que podem atingir a zona estudada. Em Portugal, existem dois cenários: “o sismo afastado, que pode ser um semelhante ao de 1755 e localizado no mar, e o sismo próximo, que pode acontecer na zona de Pinhal Novo ou em Benavente”, refere Alexandre Costa.

Segue-se depois a análise do sinal sísmico, ou seja, como ele é propagado até aos edifícios em questão. No caso de tsunami, que pode ser provocado por um sismo com epicentro no mar, os investigadores vão traçar a propagação da onda e prever quais seriam as zonas inundadas.

Em conjunto com a Proteção Civil, vai ser também trabalhada “a parte pós-sismo”, refere Alexandre Costa. “Estruturas de contenção de fachadas, zonas prioritárias de emergência e campos de desalojados”, enumera o engenheiro especializado em engenharia sísmica.

Escolha dos edifícios

Atuar em dois edifícios de Lisboa é importante para “percebemos o que podemos fazer num caso de sismo ou prevenção sísmica”, realça Alexandre Costa.  

Edifícios da Baixa de LisboaEdifícios da Baixa de Lisboa

Os dois edifícios não foram escolhidos ao acaso. O facto de estarem próximos do Tejo foi fundamental para ser analisada a hipótese de tsunami, mas outras características também entraram nos critérios de escolha.

“São edifícios que representam em tudo a construção pombalina, um já bastante alterado e outro mais ou menos preservado, representando aquilo que temos em Lisboa”, descreve Alexandre Costa.

“A construção pombalina é única no mundo, foi a primeira construção antissísmica e os participantes do workshop vão poder conhecer em pormenor estes edifícios”, realça o especialista.

Também o quarteirão onde estão localizadas as duas construções vai ser alvo de análise, principalmente num cenário pós-sismo.

As conclusões do workshop vão ser apresentadas numa sessão aberta no Palácio Valadares, no domingo, onde estarão presentes peritos da área que vão avaliar as melhores ideias e soluções. Os resultados vão ser fornecidos à Câmara de Lisboa.

O Lisbon in Motion antecede a 15ª Conferência Mundial de Engenharia Sísmica, que começa na próxima segunda-feira em Lisboa. 

SAPO

Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico.

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