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05 de Dezembro de 2011, 10:56

Cultura

Escolas da Madeira ensinam música tradicional da região

O exemplo replica-se em praticamente todas as escolas do arquipélago, mobilizando milhares de alunos num projeto que começou a ganhar forma em 2002, quando, no decurso de um congresso de professores de Educação Musical, foi proposta a inclusão de uma componente regional no currículo da disciplina.

Elaborados os manuais que, com as devidas adaptações, já tinham entrado nas salas de aula do 1.º ciclo do ensino básico, foi a vez de o projeto se alargar ao 2.º e 3.º ciclos, no ano letivo 2006/2007, para que a música levasse mais alunos a regressar ao passado da Madeira.

“O grande objetivo é que as nossas crianças e jovens tenham conhecimento e defendam, divulgando, aquilo que é a nossa música de raiz tradicional”, explicou à agência Lusa o diretor de serviços do Gabinete Coordenador de Educação Artística, organismo tutelado pela Secretaria Regional da Educação e Recursos Humanos.

Carlos Gonçalves afirmou que o projeto engloba os “vários géneros musicais que foram e são desenvolvidos ao longo dos séculos” na região, desde a música popular à sacra, da música coral à das bandas.

Convicto de que esta iniciativa é também uma forma de a região preservar as suas tradições, Carlos Gonçalves sustentou: “Os nossos jovens não podem, de maneira nenhuma, conhecer a música do mundo e não conhecer a música da sua terra e daqueles que nos antecederam”.

Na sala de aula, onde alunos do 7.º ano fazem ecoar pelos corredores da escola a ‘Cantiga do anel’, relativa a um jogo de roda, um cartaz mostra instrumentos musicais populares da Madeira, entre os quais se destacam o brinquinho, o búzio, as pinhas ou o reque-reque.

Mas é sobretudo dos cordofones tradicionais da região, assim como da viola, que saem as sonoridades, mesmo que de músicas do mundo.

“É uma forma de motivar os alunos”, justificou o responsável, para quem, no momento de crise atual, os alunos “têm que, na escola, além daquela educação do aprender a ler, escrever e contar, desenvolver competências num maior número de atividades possíveis”.

Maria João Caires, do mesmo gabinete, acrescentou: “Fazia todo o sentido que os nossos alunos percebessem a grande vastidão de património musical que temos aqui, que é extremamente rico”.

Sara Freitas, aluna de 13 anos, percebeu que, devido aos “dedos pequenos”, teve de escolher o rajão, dando continuidade ao percurso musical que iniciara numa associação.

Este projeto continua no secundário, sob a forma de atividade extra-curricular, permitindo até aos alunos formar bandas rock em que os cordofones tradicionais madeirenses têm lugar ao lado das baterias, guitarras ou instrumentos de sopro.

SAPO

Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico.

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