26 de Junho de 2012, 16:48

BPN Crédito

Mais de noventa pessoas podem perder o emprego

A reunião foi solicitada pela comissão de trabalhadores do BPN Crédito que, segundo o responsável, ainda gere parte da carteira de crédito que já foi transferida para o Banco BIC. A reunião foi solicitada pela comissão de trabalhadores do BPN Crédito que, segundo o responsável, ainda gere parte da carteira de crédito que já foi transferida para o Banco BIC. Imagem: AFP/Getty Images/João Cortesão

"Numa reunião que tivemos com o conselho de administração do BPN Crédito [entidade que está sob gestão estatal] falou-se da extinção de 50 por cento dos postos de trabalho", disse Carlos Rodrigues no decorrer da sua audição na comissão parlamentar de inquérito do Banco Português de Negócios (BPN).

O responsável respondia a uma questão da deputada socialista Ana Catarina Mendes, que pretendia saber quantos postos de trabalho do BPN Crédito podem ser mantidos após a transferência dos melhores créditos da instituição para o BIC.

Ainda assim, Carlos Rodrigues revelou que a comissão de trabalhadores vai reunir na quarta-feira com a secretária de Estado do Tesouro e das Finanças, Maria Luís Albuquerque, pelo que só aí poderá ter uma informação mais precisa sobre a matéria. "Amanhã vamos ter uma reunião com a senhora secretária de Estado que será a pessoa indicada para responder, já que o conselho de administração não soube responder", sublinhou o representante dos trabalhadores."Nós não sabemos se vamos ser alienados, se vamos ser liquidados", admitiu o responsável, para justificar a sua dificuldade em responder taxativamente à questão da deputada do PS.

Depois de um primeiro contacto com a secretária de Estado, em março, Carlos Rodrigues acrescentou que espera que a governante transmita, na reunião de quarta-feira, à comissão de trabalhadores "mais informação sobre o atual momento" do BPN Crédito e sobre o futuro dos trabalhadores.

A reunião foi solicitada pela comissão de trabalhadores do BPN Crédito que, segundo o responsável, ainda gere parte da carteira de crédito que já foi transferida para o Banco BIC. "O BPN Crédito está a gerir parte da carteira de crédito que já é do BIC", revelou, explicando que isto resulta de um acordo estabelecido por altura das transferências dos créditos para o banco de capital luso-angolano.

O facto de uma entidade pública estar a gerir créditos que já pertencem a um banco privado suscitou algumas dúvidas entre os deputados, sobretudo, do Bloco de Esquerda e do PCP, tendo Carlos Rodrigues informado que o BPN Crédito continuará a gerir estas carteiras "durante um determinado período de tempo", que não precisou, ainda que tenha apontado para seis meses.

Certo é que, segundo o responsável, "nenhum dos trabalhadores do BPN Crédito foi escolhido para o BIC ou para a Parvalorem" e que "os trabalhadores estão preocupados com o futuro da empresa", o que considerou "normal" face às circunstâncias.

Apesar da transferência dos melhores créditos para o BIC, "o BPN Crédito continua a ser uma entidade viável", na sua opinião.

Refira-se que, na audição de Jorge Pessoa, administrador do BPN Crédito, que decorreu esta manhã no parlamento, foi revelado que o BIC selecionou 186 milhões de euros dos melhores créditos daquele banco, o que poderá tornar menos atrativa a sua venda, apesar do impacto positivo nos rácios de solvabilidade.

O BPN Crédito tem atualmente três instituições interessadas na sua compra, que estão em negociações com a gestão, disse hoje o administrador da empresa que fazia parte do universo BPN e é agora controlada pelo Estado.

"Consultámos bancos nacionais, estrangeiros, brasileiros, consultámos 50 entidades, e ficámos reduzidos a três. Há um processo negocial em curso que, se houver esforço negocial entre ambas as partes, será possível levar a cabo", adiantou Jorge Pessoa, respondendo às perguntas do deputado João Semedo, do Bloco de Esquerda.

O responsável acrescentou que os interesses dos eventuais compradores divergem, vão desde a compra da totalidade do BPN crédito até apenas à carteira de crédito.

SAPO

Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico.

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