A intenção do Governo em garantir que os alunos até ao 9.º ano fiquem o dia inteiro na escola através de ocupação do seu tempo com aulas extracurriculares é "uma boa intenção", mas terá de implicar investimento, afirmou o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira.

"As famílias necessitam de ter também na escola pública respostas sociais e socioeducativas" que possam ir ao encontro "daquilo que é o seu horário de trabalho", sublinhou o sindicalista, considerando que uma "boa parte dos pais que recorre" a colégios privados "não é pela qualidade", mas pela adequação do horário escolar com o laboral.

No entanto, o dirigente sindical alertou que esta boa intenção pode-se transformar "numa má prática", caso se limite "a prolongar o regime de AEC [Actividades de Enriquecimento Curricular existentes no 1.º ciclo] até ao 9.º ano".

"Este prolongamento de horário não pode oferecer aos alunos, em cima das aulas, novas aulas. Não podemos transformar a escola numa prisão, em que os alunos, depois de um dia de atividades letivas, tenham atividades que lhes ocupam os tempos livres, mas que também são escolarizadas", referiu Mário Nogueira.

De acordo com o secretário-geral da Fenprof, o aumento de horário de atividade escolarizada leva a "quebras de concentração, quebras de atenção" e a um aumento de episódios de indisciplina, sendo necessário que se ocupem os tempos livres dos alunos com atividades "de outro tipo", como por exemplo atividades culturais ou desportivas.

Para se poder ter "uma ocupação de tempos livres numa escola a tempo inteiro que seja adequada aos alunos", é necessário "investimento" em mais professores e "não professores", em espaços e materiais, constatou.

Apesar de ser necessário investimento para que tal aconteça, a proposta do Orçamento do Estado para 2016 "não vislumbra qualquer tipo de investimento na educação", salientou.

Mário Nogueira falava aos jornalistas durante uma conferência imprensa, que decorreu na Escola Básica n.º 16, no Bairro Norton de Matos, em Coimbra, em que foi apresentada uma campanha nacional em torno da defesa de uma gestão democrática das escolas e da participação dos professores nessa mesma gestão.

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