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06 de Maio de 2012, 09:35

Aviação

Bases aéreas para pista complementar à Portela não reúnem condições técnicas ideais, diz especialista

"Além de estar localizada numa zona que, em termos orográficos, não tem obstáculos significativos - e isso tem importância na operação das aeronaves -, uma das pistas do Montijo permite operar em simultâneo com a pista mais utilizada no aeroporto de Lisboa. Em Sintra, isso é perfeitamente impossível de acontecer", adianta, à Agência Lusa, o ex-piloto da Força Aérea Portuguesa (FAP).

Pedro Santa Bárbara fez muitas de aterragens e descolagens das pistas da Base Aérea n.º1 em Sintra (BA1) e da Base Aérea n.º6 (BA6) no Montijo, unidades onde prestou serviço. Também operou várias vezes na pista do Depósito Geral de Material da Força Aérea (DGMFA), em Alverca. Atualmente, é presidente da Associação de Pilotos Portugueses de Linha Aérea (APLLA) e comandante da TAP.

"Em termos de tráfego aéreo, devido à sua orientação, as pistas de Sintra e da Portela entram em conflito e não podem operar em simultâneo. Quando um avião descolar de Sintra vai entrar automaticamente no espaço aéreo da zona de Lisboa. Para aterrar, terá de atravessar todo o espaço aéreo de aproximação à capital. Com esta limitação operacional, e estando previstos vinte movimentos por hora, nem sequer se pode considerar Sintra como alternativa", explica.

Segundo o ex-piloto da FAP, Sintra tem também limitações ao nível dos obstáculos. "Nomeadamente, devido à proximidade da Serra do Montejunto e à existência do monte Maria Dias, situado mesmo numa das cabeceiras da pista. Os obstáculos penalizam grandemente a operação dos aviões, já que, na fase de descolagem, obriga-os a utilizar muito mais potência nos motores, para atingirem uma altitude que os faça descolar em segurança".

Sobre a base do Montijo, Pedro Santa Bárbara admite alguma penalização no que diz respeito às questões ambientais, pelo facto de haver o Estuário do Tejo. Contudo, adianta que é possível adotar procedimentos que visem minorar os impactos negativos, por exemplo, sobrevoando essas zonas protegidas a altitudes superiores.

Já a pista de Alverca está localizada no enfiamento do aeroporto de Lisboa, interferindo com os corredores aéreos de aproximação à Portela. Pedro Santa Bárbara acrescenta que Alverca também apresenta restrições por a pista ser utilizada pelos aviões que rumam à OGMA (Indústria Aeronáutica de Portugal) para realizarem as manutenções, além de limitações ao nível do espaço.

"Tem o rio [Tejo] de um lado e a linha ferroviária do outro. Isso limita qualquer tipo de infraestrutura que eventualmente fosse precisa, porque não há espaço físico para a fazer. Depois, é uma base dedicada à inspeção de grandes aeronaves. Se começasse a ser utilizada para voos comerciais, essa componente, que é muito importante, eventualmente, teria de ser reduzida e com efeitos negativos para o setor da manutenção", antevê.

Em fevereiro, a OGMA emitiu um parecer, a que a Lusa teve acesso na ocasião, onde defende a "utilização preferencial da aviação executiva e/ou transporte de carga para Alverca, em alternativa aos voos low-cost", por considerar que traria mais valor para Alverca e para a região.

Pedro Santa Bárbara defende que a alternativa Portela+1, independentemente da escolha do Governo - que será conhecida este mês - é uma solução de "recurso e provisória", uma vez que a mesma "estará esgotada" um dia, tendo em conta a perspetiva do aumento do tráfego aéreo nos próximos anos.

SAPO

Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico.

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