29 de Abril de 2012, 16:41

Mudança de nome

A Peta nasceu Perpétua, o Lourival era só João

Mais de 900 portugueses mudaram de nome em 2011. Mais de 900 portugueses mudaram de nome em 2011. Imagem: SXC

João Lourival da Rocha Vieira e Silva nasceu apenas João. Lourival era o nome do “colega de carteira” que na escola primária lhe fez companhia durante os dois primeiros anos. Depois das férias de Natal na terceira classe não voltou.

“Era o meu colega principal, pegávamo-nos à bulha de vez em quando, mas éramos os maiores amigos. Penso que devo ter feito alguma transferência afetiva ou tive um pequeno trauma, ou coisa parecida, e a partir daí, quando me perguntavam o meu nome eu dizia João Lourival”, contou à Lusa.

Até aos 15 anos, Ima sempre acreditou que esse era o seu nome, o nome que o pai fez questão que fosse seu, tal como a personagem de banda desenhada que ele tinha criado e que resulta das três primeiras letras de imagem e imaginação.

“Eu cheguei a ser batizada como Ima, mas no registo não foi autorizado. Nunca soube disto porque toda a gente sempre me tratou por Ima Isabel e nunca soube que o Ima não tinha sido registado. Só aos 15 anos é que o meu pai teve uma conversa comigo e me explicou o que se tinha passado”, recordou Ima Isabel.

Já Peta sempre conviveu mal com o seu nome de batismo, Perpétua: “Sempre achei o nome muito pesado e não conhecia ninguém com esse nome. Não é que me gozassem, mas sentia-me muito constrangida com o nome”.

Para piorar a situação, na altura da sua juventude era comum ouvir na rádio os Parodiantes de Lisboa e “nas anedotas que contavam, havia sempre uma Perpétua metida no assunto”.

O nome tinha tradição familiar, vinha da avó materna, e a mãe não arriscou criar quezílias. Só que nunca ninguém a tratou por esse nome, mas sim por Peta, o diminutivo, e foi esse que identificou como seu a vida toda.

Estes são três casos de entre os muitos que têm chegado às conservatórias de registo civil. Dados do Instituto de Registos (IRN) indicam que, em 2010, houve 1.111 portugueses que mudaram de nome, número que reduziu para 913 em 2011.

Segundo o IRN, já houve alguns casos caricatos, como o de um português de etnia chinesa que este ano mudou o nome porque na língua de Camões significava “sim a todas as propostas”.

“O motivo mais frequente de pedido de alteração de nome próprio tem a ver com as pessoas nascidas no estrangeiro que pretendem fixar, em Portugal, o nome próprio aceite no registo civil local. É o caso, por exemplo, de Sílvia, que altera para Silvie ou de Miguel para Michel, dado que à data dos respetivos nascimentos Portugal não admitia o uso de nomes próprios estrangeiros”, explica o IRN.

Às vezes também acontece que os pais se precipitam e depois se arrependem dos nomes que dão aos filhos ou que alguém simplesmente não se identifique emocionalmente com o nome que lhe deram à nascença.

Para todos o processo é igual: fazer um requerimento solicitando a autorização para alteração de nome e invocando os motivos para tal e desembolsar 200 euros.

Apesar dos nomes um pouco fora do comum que aparecem na lista de admitidos do IRN (como Aua, Ayaan, Alegria, Menina ou Petronel), Portugal continua a ser um país de Marias (há 5.040 registadas), mas não de Josés, já que em 2011 o nome masculino mais registado foi Rodrigo, com 2.541.

SAPO

Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico.

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