Lisboa, 04 Jan (Lusa) - O cancelamento do Lisboa-Dacar não afectou a expectativa dos benefícios turísticos para Lisboa com os visitantes relacionados com o evento, mas a "presença" de Portugal em todo o mundo através da transmissão do evento fica comprometida.
Em declarações à agência Lusa, o vice-presidente do Turismo de Portugal, parceiro institucional para a realização do evento, cujo início estava previsto para sábado, realçou que da parte da organização portuguesa "tudo correu bem, tudo foi feito".
"O governo português apostou na realização desta prova", e o Turismo de Portugal comprometeu três milhões de euros para assegurar a participação do país no evento, especificou.
Com o cancelamento da prova, "teremos de fazer uma análise da sua repercussão" para o país e "ver como actuar" consoante as consequências registadas, disse.
"Todas as formas são possíveis, incluindo a reavaliação do compromisso financeiro para com esta prova", afirmou Frederico Costa, fazendo, no entanto, questão de referir que a decisão de cancelar é muito recente e ainda é necessário contactar com os patrocinadores e analisar a situação.
Apesar do cancelamento não ter um efeito negativo acentuado para o país, o Turismo de Portugal tentou até ao último momento, junto aos organizadores da prova, tanto em Portugal como em França, encontrar alternativas que permitissem a realização do Lisboa-Dacar, adiantou Frederico Costa.
Realçando a disponibilidade para encontrar soluções alternativas, o responsável do Turismo de Portugal adiantou que nos contactos com a organização em Portugal do Lisboa-Dacar o objectivo era manter a mais importante prova mundial de todo-o-terreno e assegurar as duas etapas em Portugal.
Por isso, uma das possibilidades propostas foi a realização do Lisboa-Dakar sem incluir a Mauritânia, país que não garante a segurança dos participantes no evento, o que deu origem ao cancelamento.
"As etapas estão preparadas, os participantes, tal como os jornalistas de todo o mundo, estão instalados nos hotéis, e alguma divulgação do destino já está a ser feita, deste modo", explicou Frederico Costa, justificando que a tarefa atribuída a Portugal neste projecto foi cumprida.
Segundo este responsável, a imagem de Portugal no que respeita à organização "não está em causa".
A hotelaria de Lisboa beneficiou com a preparação do Lisboa-Dakar, mas para a hotelaria e serviços relacionados com o turismo do Algarve "as consequências da ausência de participantes e expectadores serão negativas".
"O impacto negativo [para Portugal] está relacionado com o facto de o Lisboa-Dacar não ser transmitido através dos meios de comunicação social internacionais levando a imagem do país a todo o mundo, durante os dois dias das etapas portuguesas", referiu também Frederico Costa.
Porém, "nem tudo está perdido" e Portugal vai obter receitas turísticas com toda a preparação do evento, principipalmente em Lisboa, conclui.
EA.
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