Ciência: Investigadores de Lisboa criam método de diagnóstico mais rápido para doenças como o cancro

A tecnologia foi criada por uma equipa galaico-portuguesa do Departamento de Química da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (FCT/UNL) e encontra-se em fase de registo de patente, estando prevista a sua entrada no mercado internacional a partir de 2008, através de um acordo com uma multinacional norte-americana.

Além de permitir detectar mais rapidamente alguns tipos de doenças, a nova tecnologia pode ainda ajudar, por exemplo, no combate ao bio-terrorismo, já que permite a identificação mais rápida e segura de agentes patogénicos, tais como vírus ou bactérias.

A identificação de proteínas características de determinadas doenças é um método já usado na medicina que permite despistar, por exemplo, alguns tipos de cancro, sendo ainda usado para a identificação de vírus e bactérias.

No entanto, segundo os investigadores, uma das maiores limitações da identificação de proteínas é o tempo de espera que actualmente, só ao nível da identificação da amostra, pode demorar 24 horas.

O que a equipa de jovens cientistas da FCT/UNL, com idades entre os 23 e os 35 anos, conseguiu, após dois anos de investigação, foi acelerar processos químicos mediante a utilização da energia de ultrasons, de modo a identificar proteínas mais rapidamente.

Quando a energia de ultrasons é aplicada a uma solução com proteínas são criadas milhões de micro-bolhas que actuam como micro-reactores, explicam os autores.

No interior destes são atingidas temperaturas próximas da temperatura na superfície do sol (5000 Kelvin ou 4.726,85º Celsius) e pressões da ordem das profundezas do mar (100 atm).

Com estas condições extremas, as reacções químicas sofrem modificações, principalmente a nível da velocidade a que ocorrem.

"A solução estava diante dos nossos olhos", realçou à agência Lusa José Luís Capelo, chefe do grupo Bioscope da FCT-UNL, salientando que "controlar a energia fornecida pelos ultrasons poderia levar a uma preparação ultra-rápida da amostra e assim a uma identificação das proteínas em minutos".

A descoberta, já publicada em jornais científicos internacionais, encontra-se em fase de patente, devendo ser usada a partir do próximo ano nos produtos de preparação de amostra para investigação em proteómica de uma empresa multinacional de biotecnologia.

RCS.

Lusa/fim

Agência Lusa

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