O nível de 100 dólares o barril, atingido pela primeira vez quarta-feira passada no mercado de Nova Iorque, deve ser visto "em função do preço real", ou seja descontando a inflação, disse Chakib Khelil numa entrevista à agência noticiosa France Presse.
Nesta perspectiva, o preço do petróleo ainda não voltou aos níveis recordes de 1980, que corresponderiam a "entre 102 e 110 dólares" de hoje segundo as estimativas, sublinhou Khelil, que a 01 de Janeiro assumiu a presidente rotativa da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP).
Sublinhou igualmente que "há hoje muito poucas regiões por explorar" para descobrir petróleo e que "as novas fontes" de hidrocarbonetos nas areias betuminosas do Canadá ou as jazidas em águas profundas implicam "investimentos enormes", agravados pelo aumento dos custos dos serviços petrolíferos.
Além disto, a procura de petróleo no mundo "é hoje muito elevada", "puxada pela China e a Índia mas também pelos países do Médio Oriente, cujo consumo aumenta enormemente", acrescentou.
"Quando se avalia tudo isto, 100 dólares não é necessariamente um preço muito elevado", concluiu, precisando que "toda a equação da procura relativamente à oferta" se alterou.
Questionado sobre a oportunidade de um aumento da oferta petrolífera da OPEP na sua reunião a 1 de Fevereiro, Khelil respondeu que o cartel ia estudar o aprovisionamento do mercado e a questão de saber se a baixa dos stocks é ou não "conjuntural", assim como os perspectivas para os segundo e terceiro trimestres.
Lembrou que a OPEP "já fez gestos no passado", como quando aumentou em Setembro último a sua produção em 500.000 barris por dia, que "não serviram de nada", porque os preços "não caíram, aumentaram".
Segundo ele, a relação preço-produção ou preço-stocks "já não é tão forte como se pensa, é talvez mais ligada à situação geopolítica e à especulação".
MRO
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