Santiago do Cacém, Setúbal, 01 Jun (Lusa) - As causas da queda de uma bancada no recinto da XXI Santiagro, Feira Agro-Pecuária e do Cavalo de Santiago do Cacém, sábado à noite, já estão a ser averiguadas por um perito, adiantou à Lusa a organização.
"Já temos um perito em engenharia civil no local para apurar as causas e fazer um relatório rigoroso sobre o que se passou", disse José Rosado, presidente da entidade organizadora, o Núcleo de Exposições, Gestão e Desenvolvimento do Litoral Alentejano - NEGDAL.
A queda da bancada, montada para um festival "country rodeo", provocou 60 feridos ligeiros que receberam assistência no Hospital do Litoral Alentejano, em Santiago do Cacém.
José Rosado, também vereador do turismo na Câmara Municipal de Santiago do Cacém, aponta para já o dedo à montagem do equipamento, que "foi mal calculada".
"Não temos dúvidas: esta bancada foi mal montada, a sua colocação na areia não foi bem projectada", declarou à Lusa.
Segundo José Rosado, a estrutura de apoio à bancada "estava assente directamente na terra, uma espécie de saibro".
"Como o piso não é duro, os ferros foram-se enterrando e a bancada foi cedendo, até que caiu toda para um lado, em dominó", explicou.
Em avaliação está ainda o material usado, já que, de acordo com a organização do certame, "há quem ponha em causa a questão dos ferros, se seriam maciços ou não".
Quanto à lotação da bancada, José Rosado, que assistia de lá ao espectáculo juntamente com a família, referiu "não ter um domínio muito preciso disso".
"Havia sítios que estavam compactados com muita gente, mas noutros pontos ainda havia alguns lugares vagos", disse.
A bancada, que permanece caída do chão, deverá ser retirada do local "o mais depressa possível", segundo José Rosado.
"Não precisamos de ter exposta uma bancada que deixa más recordações", frisou, recordando que o programa da Feira, que encerra hoje à noite, vai agora prosseguir conforme previsto.
José Rosado referiu ainda que o gabinete jurídico da organização está a trabalhar desde esta manhã, e que o NEGDAL tenciona "exigir uma indemnização à Megalqueva", empresa que vendeu o espectáculo "country rodeo" através de um negócio tipo "chave na mão".
"Vamos meter acções civis e criminais. Estamos agora dedicados às partes técnicas e jurídicas, depois de sabermos que os feridos estão todos bem, para defender o bom nome da organização e da Feira", adiantou.
Os 60 feridos ligeiros que deram entrada no Hospital do Litoral Alentejano (HLA) tiveram alta durante a madrugada, disse hoje à Lusa Conceição Vilão, directora clínica da unidade hospitalar.
Os feridos que receberam assistência naquele hospital apresentavam, segundo a médica, "escoriações, pequenos traumatismos e algumas fracturas".
Para o hospital de Setúbal, e apenas por precaução, foram enviadas três grávidas para serem observadas pela unidade de obstetrícia.
A queda da bancada ocorreu cerca das 22:40 de sábado, no recinto do Parque de Feiras e Exposições de Santiago do Cacém, enquanto decorriam concertos musicais inseridos num festival "country rodeo".
De acordo com a empresa promotora do espectáculo, a bancada, com capacidade inicial para mil pessoas, estaria a funcionar na altura com menos dois módulos, o que equivaleria a 700 assistentes.
No entanto, "deviam lá estar sentadas duas mil pessoas", disse na ocasião José Manuel Carvalho, que contratou o serviço a outra empresa.
RE
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