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30 de Janeiro de 2009, 06:05

Pinto Ribeiro/1 ano: Acordo Ortográfico será aplicado até 1 de Janeiro de 2010 - ministro

Em entrevista à Lusa, Pinto Ribeiro reafirmou a importância do Acordo Ortográfico para a estratégia que o seu ministério pretende implementar. Para o ministro, "quanto mais cedo melhor", mas elege a referida data como limite para a aplicação do acordo.

Contudo, entende que "há que evitar que a língua seja um processo de fragmentação e, pelo contrário, seja um processo de uniformização/expansão. Isto faz-se através de um trabalho conjunto, solidários com todos os utilizadores".

Reconhecendo a importância da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), o ministro quer "assegurar que, concertadamente com os outros países, se avance no processo de ratificação do último adicional do Acordo Ortográfico, para conseguirmos ter uma escrita unitária do português".

Ainda segundo o ministro, "há muitos sítios onde as autoridades se recusam a ensinar português porque não sabem se o hão-de fazer na versão escrita brasileira ou europeia. Ora, "tudo isso fica resolvido através do acordo ortográfico", acredita.

Assim, uma arma fundamental é a produção de um corrector de texto, aplicável a várias plataformas informáticas, que integra as novas regras da escrita em português e que, segundo Pinto Ribeiro, deverá estar disponível até ao final deste mês.

O ministro pretende ver o português como "língua de trabalho em todas as organizações internacionais". Neste sentido, "estamos, com o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE), a reformular o Instituto Camões para que seja desenvolvido este trabalho de expansão da língua" e que passará pela digitalização de conteúdos.

Porque a considera como "valor essencial, é fundamental para a defesa da língua que tudo esteja na Internet: a ciência que existe em português, as técnicas, a literatura, os acervos, etc.", também porque "se não estiver na Internet não terá possibilidade de se afirmar".

Neste sentido, o ministro considera que "existe a necessidade de traduzirmos tudo o que existe noutras línguas para português. Com o apoio da Comissão Europeia, estamos a trabalhar nesse sentido, como também estamos a traduzir autores portugueses para outras línguas".

A palavra de ordem é "colaboração. Não faz sentido estarmos a digitalizar obras que já estão digitalizadas em sites brasileiros, porque temos de evitar redundâncias", afirma Pinto Ribeiro.

Ainda no mesmo âmbito, o ministro acredita que o Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), que até 31 de Janeiro é suposto apresentar o projecto da sua reformulação, tem de ser "dotado de meios". O ministro reconhece que o IILP tem "funcionado deficientemente, muito mal e muito pouco".

Mas as culpas terão de ser assacadas "também aos países que não nomeiam as comissões linguísticas. São precisas comissões científicas, de escritores e pessoas associadas à língua, que possam trabalhar em conjunto com o IILP". Não estando estas comissões sequer nomeadas, "há um grande esforço para que isso aconteça", afirma.

Para o ministro, só a colaboração com os outros países da CPLP, nomeadamente o Brasil, poderá dar frutos significativos. "Somos dez milhões neste rectângulo; seremos mais cinco milhões dispersos pelo mundo. Em 1960, havia 70 milhões de brasileiros e em 2008 há 190 milhões, isto é, o Brasil gerou mais falantes de português nos últimos 48 anos, do que nós gerámos em 900".

Quanto aos críticos do Acordo Ortográfico, o ministro entende que "todas as pessoas são livres de escrever como quiserem". Mas pretende que "integrem a nova forma" e, por ele, "quanto mais cedo melhor".

Não deixa, no entanto, de deixar uma palavra aos que "trabalham com a língua quotidianamente - os grandes escritores, os poetas". Estes poderão escrever português como entenderem. O ministro garante que não levará a mal.

CMJ.

Lusa/Fim

Agência Lusa

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