Madeira/Teleférico: Estudo de impacto ambiental no final do mês, petição "on line" com 1.500 assinaturas

"Falei na sexta-feira com responsáveis da Direcção Regional do Ambiente, que formou a Comissão de Avaliação, e informaram-me que a guia conclusiva só estará pronta no final do mês", disse a ambientalista Idalina Perestrelo.

Seja como for, tanto a Quercus como a sociedade civil não estão parados e, desde sábado, foi lançada na "Internet" uma petição "on line" contra a construção do referido teleférico, numa área de floresta Laurissilva, património mundial da UNESCO desde 1999.

Desde segunda-feira, a petição já reuniu até ao momento quase 1.500 assinaturas.

Entre a lista de subscritores da petição - http://www.petiononline.com/247132/petition.html -, encontram-se pessoas de todos os quadrantes políticos e sociais da região, mas da parte das autoridades regionais ainda não houve qualquer declaração pública recente sobre a polémica.

Idalina Perestrelo, que acompanhou a elaboração do estudo de impacto ambiental e a discussão pública realizada entre 11 de Agosto e 16 de Setembro, revelou que "todos os pareceres pedidos, seja ao Parque Natural da Madeira, seja à Direcção Regional de Florestas, à Câmara Municipal da Calheta ou à Secretaria Regional do Turismo, foram negativos para com o projecto".

"No Parque Natural até houve consequências", apontou a ambientalista, lembrando a substituição da directora, Susana Fontinha, pela tutela - a Secretaria Regional do Ambiente e Recursos Naturais.

A Quercus promete "novidades muito boas para todos aqueles que se opõem a este projecto megalómano, desnecessário e altamente lesivo da paisagem e meio ambiente do Rabaçal", alegando que, entre os contactos efectuados, "já recebeu indicações positivas".

A associação ambientalista enviou queixas para a União Europeia e para a UNESCO e está agora a analisar se o projecto pretende contar com fundos comunitários.

O projecto, da autoria da Sociedade de Desenvolvimento da Ponta Oeste, cujo presidente, Paulo Sousa, esteve incontactável, quer no gabinete, quer no telemóvel, abrange a construção do teleférico entre a cota alta do Paul da Serra (estação A, a 1200 metros) e a zona da levada e vereda das 25 Fontes (estação C), situada a 400 metros abaixo.

Prevê ainda uma ligação a cota intermédia onde ficam as casas do Rabaçal (estação B), num total de 1,3 quilómetros de fio, a construção de duas torres, de um parque de estacionamento, entre outras estruturas.

A situação, que já foi notícia há algum tempo na imprensa regional, nomeadamente no Diário de Notícias, está a extravasar a própria Região, pois tanto nas edições desse matutino de então, como na petição actualmente em circulação, são às centenas os depoimentos e assinaturas de turistas que se manifestam contrários à construção naquela zona de rara beleza e de grande susceptibilidade ambiental.

Na altura, o secretário regional do Ambiente e dos Recursos Naturais, Manuel António, defendeu no jornal a validade do projecto, minimizando os seus impactos ambientais.

A agência Lusa tentou obter hoje um comentário do governante, que se escusou a prestar declarações.

Actualmente, mesmo percorrendo o trajecto a pé por dentro da vereda na floresta, é cerca de 60 mil o número anual de visitantes àquele santuário ambiental.

LAR.

Lusa/fim

@ Agência Lusa

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