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28 de Novembro de 2008, 06:51

Banca: Futuro do Banco Privado Português poderá ser decidido hoje

Tendo-lhe sido vedado acesso às garantias do Estado para poder obter um empréstimo de 750 milhões de euros no Citigroup - devido ao seu reduzido peso no financiamento às empresas e às famílias - o BPP poderá agora ser salvo da falência por um grupo de seis outros bancos: a Caixa Geral de Depósitos (CGD), o Millennium BCP, o BPI, o Santander Totta, o Banco Espírito Santo (BES) e o Crédito Agrícola.

Estes bancos estão a negociar com o Banco de Portugal e com o BPP as condições de um empréstimo, entre os 500 e 600 milhões de euros, de modo a que a instituição possa resolver os problemas de liquidez causados pela crise internacional.

No entanto, o Estado vai servir de fiador do BPP neste empréstimo, recebendo como penhor vários activos detidos pelo banco liderado por João Rendeiro, que opera no segmento da gestão de fortunas.

Fontes do sector, contactadas pela Lusa, afirmaram que o principal objectivo da operação de salvamento é impedir que o colapso do BPP afecte os financiamentos dos restantes bancos portugueses junto da banca internacional.

Se um banco português falir, ainda que seja de reduzida dimensão, como é o caso do BPP, o risco do sistema bancário nacional aumentará, tornando mais difícil às restantes instituições obterem financiamentos.

Para prevenir este cenário, os advogados dos seis bancos estiveram reunidos quinta-feira ao final do dia com responsáveis do Banco de Portugal e do Banco Privado Português, com vista a definir as condições da operação de salvamento, não tendo sido anunciado um acordo.

Contactada pela Lusa na quinta-feira à noite, fonte oficial do Banco de Portugal não quis fazer comentários sobre as negociações em curso.

Por sua vez, fontes de bancos envolvidos na operação confirmaram à Lusa que as negociações poderão conduzir, entre outras mudanças, à saída de João Rendeiro da liderança do BPP, tal como o jornal Público noticiou na quinta-feira.

Certo é que, independentemente do futuro de João Rendeiro, a administração da instituição vai passar a contar com dois administradores do Banco de Portugal, ao abrigo da lei que regulamenta as operações de saneamento e recuperação de instituições bancárias.

Já a estrutura accionista vai manter-se inalterada, uma vez que não se trata de uma nacionalização, como sucedeu recentemente com o BPN.

O BPP tem como principais accionistas o próprio João Rendeiro, através da Joma Advisers (com 12,5 por cento do capital), bem como Francisco Pinto Balsemão (com 6,02 por cento), Stefano Saviotti (com 5,83 por cento) e a família Vaz Guedes (com 5,81 por cento).

O banco conta ainda com investidores como Joaquim Coimbra e a Fundação Luso Americana para o Desenvolvimento (FLAD), com 2 e 2,19 por cento, respectivamente, que têm em comum o facto de serem também ambos accionistas da Sociedade Lusa de Negócios, a 'holding' que era proprietária do BPN.

Segundo o Relatório e Contas de 2007, os capitais próprios do BPP ascendiam no final do ano passado a 250 milhões de euros, ao passo que os activos sob gestão somavam 2 mil milhões de euros.

Além destes activos, o BPP possui vários veículos de investimento - tendo alguns clientes como investidores - que controlam posições em empresas cotadas como o BCP, a Brisa e a Mota Engil, entre outras.

A desvalorização de alguns destes activos, nos últimos meses, contribuiu para as dificuldades de liquidez vividas pelo banco liderado por João Rendeiro.

No ano passado, o resultado líquido do banco ascendeu a 24 milhões de euros, tendo sido distribuídos pelos accionistas dividendos no valor de 12 milhões de euros.

FAL

Lusa/Fim

Agência Lusa

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