Lisboa, 08 Mar (Lusa) - O secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (FENPROF) reclamou hoje vitória sobre o Governo, "e com maioria absoluta" com marcha da indignação, em Lisboa, em que afirmou terem participado cerca de 100 mil pessoas.
"Com esta marcha, uma manifestação de cerca de 100 mil pessoas, ganhámos ao Governo com maioria absoluta porque temos a maioria qualificada entre os professores", afirmou Mário Nogueira aos manifestantes, no encerramento da marcha, no Terreiro do Paço, em Lisboa.
Mário Nogueira disse que na marcha de hoje contra as políticas educativas do Governo, como a avaliação dos professores, os docentes "manifestaram a sua indignação, dando uma fortíssima expressão e elevado significado político ao seu protesto".
O dirigente da FENPROF insistiu que a equipa ministerial de Maria de Lurdes Rodrigues "deixou de reunir condições" para se manter no cargo e que "esgotou todas as condições de diálogo".
Nogueira foi o último dirigente sindical a falar no comício com que terminou a marcha, e que se prolongou por cerca de duas horas, com discursos, leitura de poemas e de mensagens de apoio e solidariedade, como a junta de freguesia do Couço ou associações de pais e de estudantes.
Antes, passaram pelos microfones dirigentes dos dez sindicatos que convocaram a marcha, nomeadamente João Dias da Silva, secretário-geral da Federação Nacional da Educação (FNE).
O dirigente sindical da federação, filiada na UGT, justificou estar hoje "na rua" para fazer uma "demonstração clara da insatisfação, do mal-estar e do desencantamento dos educadores e dos professores".
Carlos Chagas, presidente do Sindicatos Independente e Democrático dos Professores (SINDEP), garantiu aos manifestantes que "a luta é para continuar" se o executivo não alterar as suas opções.
Cerca de 100 mil professores que, segundo os sindicatos, participaram hoje na "Marcha da Indignação", exigiram a demissão da ministra da Educação, a renegociação do Estatuto da Carreira Docente e a suspensão do processo de avaliação de desempenho.
A Agência Lusa não conseguiu confirmar junto da polícia o número de manifestantes avançado pelos sindicatos. O último dado validado pela PSP, pelo superintendente Guedes da Silva, apontava para uma participação superior a 85 mil pessoas.
A confirmar-se o número da organização, participaram na marcha 70 por cento dos docentes, o que representa mais de dois terços da classe profissional.
Existem em Portugal 143 mil docentes, segundo referiu esta semana a ministra da Educação.
Numa resolução aprovada por aclamação e unanimidade na concentração de professores na Praça do Comércio, em Lisboa, os docentes afirmam que "se esgotaram todas as vias do diálogo e negociação possíveis".
NS/MLS.
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