Lisboa, 08 Nov (Lusa) - Os professores que hoje se manifestaram em Lisboa aprovaram a realização de uma greve nacional para 19 de Janeiro contra o modelo de avaliação de desempenho, que o Ministério da Educação rejeita suspender.
Milhares de professores de todo o país concentraram-se hoje à tarde no Terreiro do Paço, onde a plataforma sindical agendou uma paralisação nacional para Janeiro - que admitiu entretanto vir a antecipar - e a realização de protestos descentralizados nas capitais de distrito já no final deste mês.
Segundo a organização, o protesto de hoje, convocado por todos os sindicatos do sector, reuniu cerca de 120 mil professores, superando a manifestação de Março, até agora a maior alguma vez realizada em Portugal por uma única classe profissional. Já a PSP recusou adiantar números, alegando não serem possíveis de calcular, "dada a dimensão do protesto".
As novas formas de luta foram aprovadas no final da manifestação, já no Marquês de Pombal, onde os sindicatos afirmaram não haver "entendimento possível" com o Ministério da Educação (ME), prometendo "luta o ano todo" contra o modelo de avaliação de desempenho proposto pelo Governo.
Apesar da dimensão do protesto, que superou o realizado em Março, a ministra da Educação garantiu, em conferência de imprensa, que o modelo vai continuar a ser aplicado nas escolas, para permitir distinguir e premiar aqueles que são os melhores professores.
"Desistir não é uma solução, para isso não tenho disponibilidade", afirmou Maria de Lurdes Rodrigues, acrescentando que o seu pior dia como ministra da Educação não foi o de hoje, mas sim o da greve aos exames nacionais, em 2005.
Quanto aos partidos políticos com assento parlamentar, o PSD afirmou aguardar mudanças na política educativa do Governo, considerando que o Executivo de José Sócrates não pode ser "autista e indiferente" à manifestação. Também o CDS-PP apelou a Maria de Lurdes Rodrigues para que corrija de imediato "o erro" que está a cometer, sublinhando que o clima de tensão que se vive nas escolas começa a ser "perturbador".
À esquerda, o PCP, presente na manifestação, exigiu igualmente uma mudança nas políticas educativas, enquanto o Bloco de Esquerda afirmou que o Governo ficou "aflito" com o protesto de hoje.
Já o porta-voz do PS, Vitalino Canas, garantiu que o Governo e o Partido Socialista "não se desviarão" da sua linha de actuação.
MLS/JPB.
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