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28 de Novembro de 2008, 13:15

Centro Mário Dionísio: Não será mais um "templo da cultura e da arte" de Lisboa - Vítor Silva Tavares

O Centro Mário Dionísio está a ser erguido na Mouraria, num edifício adquirido recentemente pela família do escritor Mário Dionísio, que albergou em tempos uma oficina metalúrgica e uma moradia centenária.

Para custear algumas obras de remodelação do edifício, a associação realiza no sábado na Casa da Achada um leilão com mais de uma trintena de obras de artistas portugueses, como Ângelo de Sousa e Júlio Pomar, que tiveram laços de amizade com Mário Dionísio.

"Mesmo considerando que no leilão não se vendesse nada, ainda assim não haveria prejuízo de maior, porque os artistas ofereceram as obras ao centro. Essas obras ficarão em exposição permanente e a qualquer momento poderão ser compradas", disse Vítor Silva Tavares.

O futuro Centro Mário Dionísio irá albergar o espólio do poeta, ensaísta e pintor, falecido em 1993, mas pretende ser um espaço virado para a cidade.

"Isto podia ser mais um espaço cultural da cidade, frequentado e animado por intelectuais e ficando tudo inter-pares. O objectivo não está circunscrito a isso. O espaço estará aberto à própria população da zona circundante", assinalou Vítor Silva Tavares, editor da &etc.

O CMD, que deverá abrir em finais de 2009 na Rua da Achada, terá uma área de serviços administrativos, outra que acolhe o espólio do escritor, um centro para exposições e um pátio exterior para actividades que a direcção queira programar.

O espólio de Mário Dionísio integra milhares de peças, entre livros, correspondência, documentos pessoais e a obra artística do escritor, que inclui, por exemplo, desenho e aguarela, tudo praticamente já inventariado por Natércia Coimbra, do Centro 25 de Abril da Universidade de Coimbra.

Uma das primeiras iniciativas do CMD, informou Silva Tavares, será a edição de uma publicação de abordagem à obra plástica de Mário Dionísio, menos divulgada.

Vítor Silva Tavares respondeu com um "quiçá, quiçá" sobre a hipótese de o Centro Mário Dionísio vir a ter apoio financeiro da autarquia de Lisboa e do Ministério da Cultura, sublinhando, no entanto, o carácter independente do projecto.

A gestão ficará por conta da Associação Casa da Achada, entidade sem fins lucrativose que conta, entre os seus fundadores, com figuras como Cláudio Torres, Francisco Louçã, João Caraça, Jorge Silva Melo, Manuel Gusmão, Raul Hestnes Ferreira, Júlio Pomar e Eduarda e Diana Dionísio, respectivamente filha e neta de Mário Dionísio.

"Este Centro não vai ser nem a Culturgest, nem o Centro Cultural ou "Comercial" de Belém. Não vai ser uma instituição dessas solenes", sublinhou o editor.

"Há muito maior articulação com um tipo de população desta cidade que em princípio não é frequentadora desse templos da cultura e da arte. Não vamos fazer disto nenhum templo da cultura e da arte, mas sim um certo animado e aberto a iniciativas das quais algumas delas nem podemos fazer ideia, contamos com as pessoas", reforçou Silva Tavares.

Mário Dionísio nasceu em Lisboa em 1916 e morreu em 1993, aos 77 anos.

Poeta, crítico, pintor e professor, Mário Dionísio teve um papel importante na corrente neo-realista da literatura e arte portuguesa durante as décadas de 1940 e 1950.

Da sua obra de ensaísta, poeta e ficcionista destacam-se "Conflito e Unidade da Arte Contemporânea", "A Paleta e o Mundo", "Introdução à Pintura", "O Dia Cinzento e Outros Contos","Não Há Morte nem Princípio", "Monólogo a Duas vozes", "A Morte é para os Outros", "Via Luminosa e Outros Poemas", "Memória Dum Pintor Desconhecido" e "Terceira Idade".

SS.

Lusa/fim

Agência Lusa

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