Porto, 22 Mar (Lusa) - O saxofonista britânico Courtney Pine e o cantor/compositor brasileiro Ivan Lins são os cabeças-de-cartaz do "Jazzn'n'Gaia 2008 - Festival Internacional de Jazz de Gaia, que se inicia quinta-feira, no Teatro d'Avenida.
Do cartaz do "Jazz' n' Gaia - Festival Internacional de Jazz de Gaia", que se realiza a 27, 28 e 29 de Março no Auditório Municipal, fazem parte o Mário Laginha Trio, os Fado em Si Bemol e o Sexteto de Michael Lauren.
O concerto de abertura, quinta-feira, está a cargo do Mário Laginha Trio, formado pelo virtuoso pianista, Bernardo Moreira (contrabaixo) e Alexandre Frazão na bateria, três músicos da primeira linha do jazz nacional.
Sexta-feira é dia de sessão dupla, que se inicia com os Fado em Si Bemol, projecto de origem portuense que funde diversos estilos musicais numa "embalagem" jazzística.
A banda integra Pedro Matos (voz), Miguel Silva (guitarra portuguesa), Paulo Gonçalves (guitarra), Pedro Silva (contrabaixo) e Juca (percussão).
Logo a seguir, é a vez Ivan Lins, um nome grande da música brasileira, cujas composições foram tocadas e cantadas por estrelas como Quincy Jones, George Benson, Sarah Vaughan ou Ella Fitzgerald.
A poucos meses de celebrar 65 anos de idade e com uma carreira de cerca de quatro décadas e meia, Ivan Lins apresenta-se em Gaia com o seu sexteto.
A última noite do evento contará igualmente com dois concertos, o primeiro deles protagonizado pelo sexteto do baterista norte-americano Michael Lauren, que antecederá a actuação de Courtney Pine.
Nome respeitado a nível internacional do ensino da bateria e membro fundador de uma das escolas mais prestigiadas da especialidade, a Drummers Collective, de Nova Iorque, Michael Lauren reside actualmente no Porto, onde é professor do curso de jazz da Escola Superior de Música e das Artes do Espectáculo (ESMAE).
O concerto de encerramento cabe ao saxofonista inglês Courtney Pine.
Nascido em 1964, em Londres, Courtney Pine é uma personalidade musical enigmática que regularmente recebe os maiores elogios e os piores ataques da crítica musical, pelas constantes mudanças de orientação que tem imprimido ao seu percurso.
O músico londrino já incluiu na sua música os mais variados subgéneros musicais, desde elementos de diversas tradições musicais até à pop, reggae, electrónica, funk e soul, que combinou com o jazz.
Já tocou com gente variadíssima, desde a estrela do reggae General Saint, até Clint Eastwood (o actor, que é também pianista e apaixonado pelo jazz) e foi também membro da orquestra de jazz de Charlie Watts (o baterista dos Rolling Stones) e dos Jazz Messengers de Art Blakey, uma das melhores bandas de jazz de sempre.
A sua discografia, que inclui já 14 discos e uma compilação, inclui desde discos de jazz "mainstream" até experiências variadas, nomeadamente com o uso de DJ's e rappers e programação de percussão, o que lhe valeu aplausos e críticas, tanto da crítica especializada como do público.
Por exemplo, o disco "Modern Jazz Stories" (1995), que apresenta uma formação constituída por músicos de elite norte-americanos, que inclui pianista Geri Allen, Mark Whitfield (guitarra), Eddie Henderson (trompete), Charnett Moffett (baixo) e a vocalista Cassandra Wilson, recebeu os maiores elogios da crítica e do público.
Já disco seguinte "Underground" (de 1997) frustrou os críticos ao incluir DJ's de hip-hop e programação de percussão, numa formação que, apesar de tudo, incluía respeitadíssimos nomes do jazz como Jeff Watts, Reggie Veal, Nicholas Payton e Cyrus Chestnut.
Em 2000 lançou outro disco premiado pelas revistas de jazz, "Back in the Day", um tributo ao funky soul-jazz e ao afro-funk, com músicos como Gary Bartz, Fela Kuti, Manu Dibango, Eddie Harris, Idris Muhammad e Bernard Purdie.
A mudança é uma constante da carreira de Courtney Pine, pelo que os seus concertos são também sempre uma surpresa, o que não deixará de suceder no próximo sábado, em Gaia.
PF.
Lusa/Fim

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