16 de Maio de 2008, 13:30

Futebol: Boavista - Crise provoca "apreensão" e "expectativa" nos escalões de formação

Porto, 16 Mai (Lusa) - Os futebolistas juniores do Boavista FC, orientados por Mário Moinhos, uma das glórias do clube, encaram com "apreensão" e "expectativa", mas "com optimismo", a grave crise que o clube atravessa.

Condenado à descida de divisão e com dívidas acumuladas de mais de 100 milhões de euros, que inviabiliza qualquer margem de manobra das demissionárias direcções da SAD e clube, o Boavista agoniza por uma solução.

"O que tento transmitir aos jogadores, mesmo sem problemas, que possam directa ou indirectamente interferir com eles, é que têm que trabalhar muito e jogar, jogar, jogar sempre", referiu Mário Moinhos à Agência Lusa.

Moinhos acredita que o Boavista, "apesar de todos os graves problemas que atravessa, vai sobreviver, dar a volta por cima e superar a crise". "Pode ser só um sonho, mas acredito que se vai concretizar", admite.

Movido "pela paixão ao futebol e ao Boavista em particular", Moinhos, de 59 anos, iniciou carreira no Vilanovense, deu nas vistas no Boavista, conquistando uma Taça de Portugal, notabilizou-se no Benfica e foi sete vezes internacional.

A incerteza quanto ao futuro, uma vez que encerram a formação com a passagem a seniores, constitui a principal preocupação dos jovens "axadrezados", que sonham abraçar um dia a carreira de profissionais.

Os escalões de formação do Boavista, um dos principais viveiros de jogadores nacionais, movimentam cerca de 250 atletas (juniores, juvenis, iniciados e infantis) e contam nos seus palmarés com vários títulos nacionais.

Para manter operacional a máquina de formação "axadrezada", que tem um protocolo com o Pasteleira para a cedência de jogadores, assegurando algumas equipas, o Boavista possuiu uma rede de cerca de 50 técnicos.

Manter a formação activa e com o mínimo de danos colaterais para os jogadores e técnicos tem sido uma aventura diária, com o recurso a acrobacias financeiras para assegurar, entre outros, o aluguer dos campos, transporte e alimentação.

O lar instalado no Bessa serve de casa a 16 jogadores internos, que conciliam o futebol com o estudo, entre os quais dois jovens senegaleses e dois guineenses, mas as preocupações quanto ao futuro são reais.

Benvindo Moreno é o inquilino mais antigo do lar "axadrezado", onde chegou vindo da Guiné-Bissau há seis anos, e - "face à complicada situação que o clube vive" - o avançado não esconde a preocupação quanto ao futuro.

"Saber que vamos passar a seniores num clima de incerteza quanto ao futuro do Boavista não é nada fácil", referiu Benvindo Moreno, que espera que "a crise do clube não coloque em causa a sobrevivência do lar".

Diogo Leite, defesa central que já leva 11 dos seus 19 anos com a camisola "axadrezada" vestida, confessa que "gostava de ficar no Boavista", embora reconheça que "a situação que o clube atravessa é complicada".

Natural de Matosinhos, e com o desafio de conciliar os estudos com a prática de futebol, Diogo Leite sonha um dia "representar o Boavista", sem descuidar a formação académica na área de gestão desportiva.

"Espero ter a sorte de um dia chegar ao plantel principal, pois é esse o meu sonho e é para isso que trabalho. É essa a minha aposta e estou certo que o Boavista irá conseguir superar a actual crise", referiu o jogador.

Ivo Santos, apesar de ainda júnior, já integra com frequência o trabalho do plantel profissional "axadrezado" sob as ordens do treinador Jaime Pacheco, sinal que o Boavista conta com ele para o futuro.

O defesa, natural de Lourosa e no Bessa há sete anos, reconhece que "a crise afecta todos, ninguém passa ao lado do problema", mas acredita que o Boavista irá "superar o problema e encontrar solução".

Apesar de afastados da fase final do Nacional, sendo que os Infantis (Regional) e os Juvenis (Nacional) são os únicos que ainda se encontram em competição, os juniores mantém-se em actividade no campo do Pasteleira.

Recém-chegados de um torneio em França, os juniores estão já a preparar a participação no Mundialito, a decorrer em Espanha, de 24 a 31 de Maio, onde vão defrontar, entre outros, o Real Madrid e o Torino (Itália).

A agenda "axadrezada" inclui ainda uma deslocação à Nigéria, em Junho, para participar num torneio, inserido num plano estratégico que "visa proporcionar aos jogadores contactos com outras realidades".

Na parede da fama do Bessa "moram" jogadores como João Vieira Pinto, Costinha (guarda-redes), Litos, Pedro Emanuel, Ricardo Silva, Petit, Delfim, Bosingwa, Raul Meireles, Nuno Gomes, Mário Silva e Ricardo Costa.

A atestar a qualidade das "fornadas" do Bessa há a registar que todo o plantel do ano passado foi colocado nos vários níveis do futebol português e, em média, cerca de 80 por cento dos jogadores conseguem clube.

O sonho de seguir as pisadas dos ídolos constitui a linha orientadora pela qual se regem os pupilos de Moinhos e, por simpatia, o próprio treinador, com quem alguns já trabalham desde os iniciados.

Moinhos viu serem integrados no plantel principal alguns dos seus jogadores, alguns ainda juniores, como Ivo, Ricardo e Pedro Moreira, de entre um lote mais alargado que inclui Gilberto, Ivan Santos, Hugo Monteiro e Bruno Pinheiro.

As chamadas às selecções são o reconhecimento da formação "axadrezada" e esta época foram já vários os jogadores convocados: Pedro Moreira e Pinheiro (sub-19), Ivo (sub-18), Esmael (sub-17), Cavadas, Roberto e "Cabi" Djalo (sub-16), Flávio, Alves e Hugo (sub-15).

"A ambição dos jogadores, a forma como se atiram aos treinos e atitude positiva perante as dificuldades são o que me faz acreditar que o Boavista só pode melhorar. Não me passa pela cabeça nenhum descalabro", refere.

APS.

Lusa/fim

Agência Lusa

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