O ciclo-rail, junto à estação de Estremoz, no distrito de Évora, vai ser experimentado sábado pelos participantes num seminário internacional, que pretende encontrar formas de requalificar e rentabilizar património ferroviário desactivado.
Organizado pela Rede Ferroviária Nacional (Refer), o seminário "Património Ferroviário e Desenvolvimento Territorial" decorre hoje e sábado, na Universidade de Évora (UE).
A requalificação da via-férrea entre Estremoz e Portalegre não é caso único no Alentejo, onde outros troços e estações ferroviárias encerrados estavam votados ao abandono.
Entre Évora e Mora, onde outrora se viajava de comboio, uma ecopista, com vinte quilómetros de distância, até ao limite do concelho de Arraiolos, permite agora aos "amantes" do ciclismo pedalar no meio da natureza.
Mais acima, no distrito de Portalegre, a estação de comboios de Cabeço de Vide, que noutros tempos assistiu à azáfama da entrada e saída de passageiros, foi reconvertida numa unidade hoteleira.
A nível nacional, um património ferroviário espalhado por quase 700 quilómetros de vias-férreas desactivadas ao longo dos anos continua à espera de ser recuperado, segundo a Invesfer, empresa do grupo Refer, responsável pela valorização do património imobiliário ferroviário e pelos contactos com potenciais investidores públicos e privados.
Para recuperar parte desse património, vão ser apresentados no seminário dois projectos para valorizar 60 estações de comboios desactivadas nas regiões do Alentejo e Trás-os-Montes e Alto Douro.
O Programa Regional de Revitalização do Património das Linhas do Corgo, Douro (Pocinho - Barca d' Alva), Sabor e Tua tem como prioridade reabilitar 32 estações de comboio desactivadas.
Já o Projecto de Revitalização dos Recursos Ferroviários no Alentejo prevê recuperar 28 estações para potenciar os recursos patrimoniais da região, como forma de contribuir para o seu desenvolvimento económico.
Um dos grandes desafios será agarrar o interesse de privados para a construção de infra-estruturas de apoio às ecopistas que possam atrair mais visitantes, como hotéis, restaurantes, lojas de venda de produtos regionais ou aluguer de bicicletas, adiantou à agência Lusa Alfredo Vicente Pereira, presidente da Invesfer.
Além da apresentação destes novos projectos, o seminário vai permitir ainda a "partilha" de experiências, através da análise de projectos de recuperação já concretizados em Portugal, Reino Unido e Espanha.
A revitalização do Parque Mineiro de Rio Tinto, em Espanha, que permite aos turistas viajar de comboio pela mina, visitar uma casa vitoriana e conhecer a história mineira da região, é um dos projectos em análise no seminário.
JYC/ER.
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