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24 de Janeiro de 2009, 08:30

Lisboa: Estudo rejeita cortes de trânsito na Baixa propostos pela autarquia

O estudo sobre o plano de mobilidade da autarquia para a Baixa, que se encontra em discussão pública, elaborado pelo professor de Urbanismo e Transportes do Instituto Superior Técnico Fernando Nunes da Silva, foi encomendado pelo Automóvel Clube de Portugal.

Segundo o estudo, a que a Agência Lusa teve acesso, o corte de circulação proposto pela Câmara "iria ter consequências muito gravosas, tanto no que se refere à circulação na Baixa/Chiado, como na própria Avenida Infante D. Henrique e Avenida da Ribeira das Naus, onde os congestionamentos de tráfego entre Santa Apolónia e o Cais do Sodré passariam a ser uma constante".

As alterações propostas introduzem "fortes impactes negativos nos acessos às colinas adjacentes à Baixa, com particular realce para a zona do Chiado e para a zona servida pela Rua da Madalena (Castelo de S. Jorge/Graça)".

Nestes locais, "os acréscimos de tráfego poderão situar-se na ordem dos 600 a 900 veículos por hora nas vias que lhes dão acesso".

De acordo com o estudo, toda a malha envolvente ao Chiado pode vir a registar, no limite, "um acréscimo de 700 a 900 veículos/hora, com particular ênfase no período de ponta da tarde".

"Atendendo à capacidade viária desta zona e às inúmeras actividades urbanas aí existentes (com todos os movimentos associados ao estacionamento que estas induzem), não se antevê como seja possível acomodar esse acréscimo de tráfego em condições minimamente satisfatórias", sustenta o estudo.

Nunes da Silva afirmou à Lusa que a proposta da Câmara "não acautelou convenientemente os impactos que teria na zona envolvente, preocupou-se apenas em ver como podia cortar os 1.700 veículos que descem ou que sobem a Rua da Prata ou a Rua do Ouro".

"É mais um elemento para o declínio da Baixa e para a perda de atractividade relativamente às áreas onde as pessoas chegam por auto-estrada e podem estacionar directamente dentro do edifício", sublinhou ainda o investigador.

Contudo, o especialista alerta que, até esse declínio acontecer e os automobilistas deixarem de circular naquela área da cidade com a intensidade com que actualmente o fazem, a zona da Baixa transformar-se-ia num "inferno do ponto de vista da circulação".

O estudo salienta também a penalização a que a circulação de peões ficará sujeita, nomeadamente na Rua do Arsenal e na Rua da Alfândega.

Na Rua da Alfândega, "pode chegar-se a situações em que os passeios não excedam 1 metro de largura, impedindo na prática a sua utilização em condições de segurança e conforto".

Na Rua do Arsenal, "a prevista intensificação do tráfego motorizado não deixará de ter consequências negativas na sua utilização pelos peões".

O estudo conclui que a introdução de "restrições significativas" ao trânsito nesta zona da cidade só será "viável" após a concretização de um "conjunto de alterações significativas ao sistema de acessibilidades em Lisboa e nas suas relações com os espaços urbanos envolventes".

Essas alterações vão desde a "construção de circulares e o completar de algumas radiais, à densificação da rede do metropolitano na cidade e à construção de parques de estacionamento dissuasores do uso do automóvel, passando por um sistema tarifário integrado para os transportes colectivos".

Além do impacto na mobilidade, Nunes da Silva aponta também para o efeito político "extremamente pernicioso" que este tipo de propostas pode acarretar.

"Pondo em prática uma proposta que tem imensos efeitos negativos, raramente o poder político aguenta a pressão da opinião pública, acaba por recuar e, quando recua, durante muitos anos acaba por não fazer qualquer coisa naquele sentido", argumentou.

ACL.

Lusa/Fim

Agência Lusa

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