Lisboa, 25 Abr (Lusa) - As percentagens pagas ao angariador de fundos da Quercus (10 a 15 por cento dos apoios obtidos) suscitaram polémica e motivaram demissões e troca de acusações entre a Direcção Nacional e dirigentes regionais.
A questão foi levantada em Dezembro de 2007 pelo Núcleo Regional de Lisboa, presidido na altura por Aline Delgado, entretanto destituída pela Direcção Nacional da Quercus, e que tem em curso uma acção judicial contra a organização ambientalista devido à não renovação do seu contrato de trabalho.
Aline Delgado contou hoje à Lusa que tinha pedido ao angariador de fundos, uma pessoa contratada pela Quercus para promover parcerias e obter financiamento para os projectos, que propusesse à Caixa Geral de Depósitos (CGD) um projecto (eHco), orçado em 70 mil euros, e que visava divulgar boas práticas de construção e utilização de edifícios.
"Nessa reunião, o angariador de fundos acabou por apresentar um outro projecto da Direcção Nacional cujo orçamento era de dois milhões de euros. Achámos que havia ali um conflito de interesses, porque a comissão do angariador seria mais ou menos elevada, consoante o valor dos projectos. Nesse caso ganharia cerca de 200 mil euros", afirmou.
Segundo a ex-responsável, foi então formalizado um pedido de esclarecimento que incluía questões sobre o comportamento do angariador.
"Tentámos perceber como é feita a angariação de fundos noutras ONG e não é este o modelo seguido. Deve haver um contrato de trabalho que estipule o salário", considerou.
De acordo com Aline Delgado, "a DN decidiu entretanto baixar a comissão do angariador para o projecto com a CGD para 3,5 por cento".
Entretanto, o assunto foi levado ao Conselho de Representantes [que reúne representantes da direcção nacional e os presidentes dos núcleos regionais].
"Fomos humilhados. Disseram que nós tínhamos era inveja do que os outros ganhavam", referiu a arquitecta, salientando que houve também "muitos apoios" e que o assunto gerou indignação nos fóruns de discussão dos sócios.
A Direcção Nacional da Quercus, que respondeu por escrito à Agência Lusa, confirma que "na altura do contacto com a CGD a percentagem a ser paga ao angariador era de 10 por cento, porque o montante dos valores angariados era relativamente baixo".
A DN acrescenta que quando surgiu a possibilidade de um apoio com valor significativo, o contrato foi renegociado, o que já estava previsto antes do Núcleo de Lisboa levantar a questão, porque "começaram a surgir algumas possibilidades de serem desenvolvidos grandes projectos".
Segundo informações da DN, foi feito um novo contrato com o angariador com início a 01 de Janeiro de 2008 e a duração de 15 meses.
"No âmbito do novo contrato, podemos dizer que para que este recursos humano signifique um custo mais elevado para a Quercus do que o recurso humano mais bem pago na associação terá de ser responsável por estabelecer parcerias para projectos que ultrapassassem os 525.000 euros por ano".
Se o protocolo com a CGD avançar, o angariador receberia durante os cinco anos de desenvolvimento dos projectos (Floresta Caixa) 12.937 euros anuais
A DN da Quercus afirma também que durante a reunião com a CGD, o angariador "procurou conhecer melhor a entidade e os seus interesses e perspectivas e referiu vários projectos e linhas de trabalho da associação", não se concentrando num tema específico.
RCR
Lusa/fim

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