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05 de Outubro de 2007, 13:00

Gaia: Homem mais velho de Portugal comemora sábado 111 anos

Natural de Guetim, concelho de Espinho, Augusto Moreira nasceu a 06 de Outubro de 1896, e a sua idade que lhe permitiu atravessar já três séculos não o impede de afirmar com exactidão que o parto ocorreu "em casa, de madrugada".

Augusto Moreira vive há cerca de 15 anos em Grijó, Vila Nova de Gaia, na quinta da sua filha Celeste e passa os seus dias naquela pacata terra onde até aos 108 anos lavrou campos com a enxada na mão.

Com um olhar baço, mas afável, Augusto está lúcido nas palavras embora as enrole, sendo a família a ajudar na comunicação. Faz também a sua higiene diária sozinho, anda, embora cada vez menos, e gosta de apanhar sol no terraço da casa.

À habitual pergunta de qual é o segredo para a sua longa vida, Augusto não sabe responder, encolhendo os ombros, mas rapidamente o genro Emílio responde que Augusto nunca foi homem de se acomodar.

"Toda a vida trabalhou. Até há dois anos ainda andava por aqui de enxada na mão", afirmou Emílio, acrescentando que o sogro "aos 100 ainda ia a pé até Guetim", que fica a cerca de cinco quilómetros de distância.

A filha Celeste, já com 83 anos, acrescenta que o pai "já não vai para a terra" porque ela o proibiu.

"O que gosto mais de fazer é trabalhar, mas agora só se for desfolhar uma espiga com as mãos", afirmou Augusto à Lusa, acrescentando que gostava muito de "ir à feira na Areosa (Porto)" quando era mais novo.

Augusto Moreira, que na sua longa vida assistiu a acontecimentos marcantes da história como a construção da torre Eiffel para a Exposição Mundial de 1889, duas guerras mundiais, o fim da monarquia em Portugal, bem como o fim da União Soviética e os atentados de 11 de Setembro de 2001, está bem de saúde, apenas ouve e vê mal.

"Tem um coração forte. Só toma um medicamento por dia para a circulação do sangue e há pouco tempo", salientou a neta Deolinda, que é quem o ajuda a deitar-se diariamente.

Come de tudo e não prescinde de um copo de vinho por dia e se for Vinho do Porto melhor, tendo já recebido uma garrafa desta bebida das mãos de Pinto da Costa, o presidente do Futebol Clube do Porto, o seu clube do coração.

Augusto gosta de se levantar cedo, mas só entre as 08:00 e as 09:00 é que a filha Celeste passa no seu quarto só para o ajudar a levantar, já que o supercentenário (pessoas com 110 ou mais anos) ainda goza de uma certa independência.

"Fica lá sozinho a vestir-se, mas como demora uma hora ou mais para fazer isso acaba por resmungar com ele próprio", salienta o bisneto André, de 17 anos, que já ouviu "avô" a dizer: "Despacha-te Gusto, anda lá trengo!".

Falar é, aliás, a sua perdição, de acordo com os familiares mais próximos.

"Fala tanto, tanto, tanto que até chateia", disse Deolinda, contando que como Augusto ouve mal pensa que a família não lhe liga e repete-se nas palavras.

Excepto este "defeito", os familiares só lhe apontam virtudes, por ser um homem "caseiro, muito bem disposto e muito tolerante", disse o genro Emílio.

Sempre o seu chapéu de feltro, Augusto Moreira lembra à Lusa que os dois bois que comprou para puxar o carro custaram 120 escudos (0,60 cêntimos). Durante longos anos, fez o transporte de mercadorias em carro de bois, "porque não havia camiões".

Para comemorar os seus 111 anos, a família tinha programado um jantar num restaurante da zona, mas uma ida súbita de Augusto ao Hospital, esta madrugada, obrigou ao cancelamento do evento.

JAP.

Lusa/Fim

Agência Lusa

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