"Vejam bem até onde querem chegar(...). Que ninguém pense que pode continuar assim. Uma concessão pode terminar inclusivamente antes do tempo estabelecido", advertiu Chavéz, que apontou eventuais "violações das leis" e o "terrorismo mediático" como causas para anular as licenças.
O Presidente discursava perante dezenas de milhares de apoiantes, provenientes de diversos estados venezuelanos, que se concentraram na Avenida Bolívar da capital, depois de uma marcha de várias horas contra o imperialismo.
A marcha teve ainda o propósito de apoiar a recém-criada TVeS, Televisão Venezuelana Social, estação televisiva que usa a frequência e o equipamento da RCTV, o mais antigo canal privada de televisão do país, que cessou as suas transmissões à meia-noite de 27 de Maio por não lhe ser renovada a licença.
"Faço um apelo aos meios de comunicação privados, sobretudo aos que se prestam ao jogo destabilizador e ao golpe suave, como o chamam os 'gringos'", advertiu Chavéz. "Vejam bem onde querem chegar."
Esta alocução foi transmitida em simultâneo e obrigatoriamente pelas rádios e televisões do país.
O Presidente venezuelano avisou que a "oligarquia venezuelana" perderá os seus espaços se continuar numa posição crítica ao seu Governo, fazendo alusão aos protestos que decorrem há uma semana contra o fim da RCTV.
"Hoje começa o que eu mais gosto, o contra-ataque. A oligarquia venezuelana deveria deixar-nos quietos, ficar com os seus espaços e aceitar a nova realidade", disse.
Insistiu que "esta revolução chegou para ficar", que "faltam mais de 5.000 dias de revolução" e que "a 24 de Junho de 2021 estará consolidado o projecto da Venezuela bolivariana e socialista".
Instou os seus simpatizantes e as Forças Armadas venezuelanas a "manterem o contra-ataque bolivariano em todo o país" e despediu-se com a tradicional saudação: "Pátria, Socialismo ou Morte. Venceremos".
Na Venezuela, existem actualmente três canais privados nacionais de televisão. Dois deles viram as suas licenças renovadas por cinco anos no mesmo dia em que a RCTV ficou sem licença. O terceiro obteve uma licença por um período de 20 anos em 1992.
FPG/RCR.
Lusa/fim