Isto é uma página de arquivo

Todas as notícias do dia estão agora disponíveis na página principal do portal SAPO

10 de Agosto de 2007, 16:00

Bancos portugueses investiram em activos hipotecários mais arriscados - Schroders

"É inevitável que muitos bancos tenham subprime em Portugal", disse Leonardo Mathias, director da Schroeders em declarações à agência Lusa.

O crédito subprime é um tipo de empréstimos do mercado imobiliário que começou há poucos anos a ser feito nos EUA, com as instituições financeiras a assumirem mais risco por emprestarem dinheiro a pessoas de menores rendimentos.

Este ano algumas das empresas que se dedicaram a esse negócio faliram nos EUA e esta semana surgiram notícias de que esse problema se está a alastrar à Europa, com o BNP Paribas a dizer que suspendeu o resgate de três fundos de investimento e outros dois bancos na Alemanha a declarar também dificuldades semelhantes.

O que é preciso saber é como é que estão os balanços dessas instituições financeiras que investiram em 'subprime', acrescentou Leonardo Mathias, quanto dinheiro colocaram nesses produtos e que tipo de estruturas estão a vender aos seus clientes.

Quem estava no início da cadeia a conceder esse tipo de empréstimos sabia o risco que estava a correr, disse à Lusa o economista José Miguel Queimado, especialista em economia política a viver nos EUA.

No entanto, quem estava depois a comprá-lo em produtos estruturados e em operações de titularização não sabia.

"O risco foi mal avaliado", afirmou o mesmo economista, e agora as pessoas começam a aperceber-se de que não vão poder receber o seu dinheiro investido nesses produtos.

José Miguel Queimado deixa um conselho aos pequenos accionistas: informem-se da diversificação de activos que têm nas suas carteiras de fundos ou de produtos estruturados, não entrem em pânico e não comecem todos a vender os produtos estruturados.

"Agora não é a melhor altura para vender o que se tem", acrescentou, já que os investidores iriam "perder dinheiro com essa transacção".

Cristina Casalinho, economista-chefe do BPI, recorda que as instituições financeiras nos EUA viraram-se para esse tipo de crédito para aumentar a base de clientes; uma vez que o endividamento já era muito elevado nos EUA era preciso entrar em franjas de mercado e assumir mais risco.

No entanto, esta estratégia foi adoptada num período em que as taxas de juro nos EUA estavam historicamente baixas, permitindo às pessoas de baixos rendimentos acederem ao crédito, e numa altura em que houve uma grande proliferação de produtos estruturados.

Nos últimos dois anos, o crédito imobiliário nos EUA cresceu sobretudo no segmento subprime, de acordo com Cristina Casalinho, representando hoje esse segmento 15 por cento do endividamento total.

O aumento das taxas de juro nos EUA, iniciado em 2003 e que continuou até meados de 2005, adicionando 4,25 pontos percentuais à taxa de juro de referência, combinado com o abrandamento económico nos EUA, deixavam adivinhar que surgiriam problemas neste segmento do crédito, segundo a economista do BPI.

Além disso, os créditos concedidos tinham um formato diferente: períodos de carência no pagamento do empréstimo e prestações crescentes, o que dificulta o cumprimento do crédito em situações de aumento da taxa de juro.

Paralelamente, com a estagnação do mercado imobiliário, os imóveis das pessoas deixaram de valer cada vez mais dinheiro, pelo que o interesse em pagar o crédito diminuiu já que o activo valia menos face ao crédito.

Cristina Casalinho lembra que por este ser um produto novo, não havia histórico para o seu risco, pelo que em muitos modelos de avaliação se assumiu o pior risco de incumprimento dos créditos tradicionais, o qual se está a descobrir agora ser insuficiente.

Não há um referencial de capacidade de incumprimento para esse tipo de créditos, lembra a analista do BPI, por isso há já instituições que suspenderam o resgate de fundos.

IRE.

Lusa/Fim

Agência Lusa

Comentários

Critério de publicação de comentários

publicidade

publicidade

publicidade