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28 de Dezembro de 2007, 16:46

Internet: Blogs de dissidentes chineses atacados por piratas informáticos (ACTUALIZADA)

"Estamos indignados com a atitude destes "hackers" (piratas informáticos), muito provavelmente instalados na China, que desactivaram 2.000 blogs alojados na rede informática Boxun, com sede nos Estados Unidos", referiu em comunicado a RSF, uma organização não governamental (ONG) que defende a liberdade de imprensa.

O editor da Boxun, Wei Shi, afirmou à RSF: "Nunca antes tínhamos sido alvo de um ataque distribuído de negação de serviço (DDOS, sigla em inglês para 'Distributed Denial of Service Attacks'), que consiste em bombardear a rede com um número excessivo de pedidos de conexão".

"A nossa plataforma boxun.com/blog foi abaixo no dia 24 de Dezembro. Ainda não temos a certeza se vamos conseguir recuperar todos os dados perdidos e se vamos ter que encontrar um novo servidor", acrescentou Wei.

Este não foi o primeiro ataque à Boxun. Em Agosto, uma agressão informática do mesmo tipo provocou a suspensão de cerca de dez blogs de dissidentes políticos chineses que parecem ser, segundo a RSF, o verdadeiro alvo destes piratas informáticos.

Alguns dos "bloggers" que agora vivem nos Estados Unidos foram detidos, condenados ou enviados para hospitais psiquiátricos na China por "subverterem a autoridade do Estado", depois de terem acusado na Internet o governo chinês de cometer abusos.

De acordo com o relatório anual da RSF, a China é "a maior prisão do mundo para os jornalistas", com uma centena de repórteres e intelectuais presos por terem publicado textos e relatórios que criticam o regime autoritário chinês.

No último ano, alguns governos ocidentais, como os dos Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido, acusaram "hackers" chineses de espiar as suas redes de inteligência e de defesa num movimento que alguns analistas identificam como uma "ciber-guerra fria".

Na China, os blogs converteram-se em importantes espaços de opinião num país onde os meios de comunicação estão fortemente controlados pelo Governo, embora Pequim continue a limitar a sua utilização.

As autoridades chinesas estão a considerar a possibilidade de pedir a todos os autores de blogs na China que se registem com o seu nome e apelidos reais, uma sugestão que já recebeu fortes protestos por parte da comunidade cibernauta.

Alguns dos blogs chineses encontram-se entre os mais visitados do mundo, como o que escreve a conhecida actriz e directora Xu Jinglei (blog.sina.com.cn/m/xujinglei), que já ocupou várias vezes o primeiro lugar do ranking.

Apesar da censura e do acesso dificultado a vários "sites", o número de cibernautas chineses ultrapassou já os 123 milhões, o que torna a China no segundo maior país do mundo em termos de utilizadores de Internet, a seguir aos Estados Unidos.

Segundo estudo sobre a utilização de blogs, realizado pelo Centro de Informação da Rede de Internet na China e publicado quinta-feira, já existem no país 47 milhões de blogs, apesar da censura, contra os 34 milhões registados em Setembro de 2006.

O governo chinês mantém uma posição ambígua em relação ao uso da Internet no país, encarando a rede como um motor de crescimento económico mas receando o seu potencial para colocar em causa o regime de partido único.

Nos últimos anos, a China tem aumentado o controlo do conteúdo na Internet, numa luta contra o que as autoridades consideram ser "influências negativas" sobre a população e os mais jovens, em particular.

Só em 2005, as autoridades chinesas ordenaram o encerramento de mais de duas mil páginas na Internet por considerarem que o conteúdo publicado era "impróprio", de acordo com notícias divulgadas pela imprensa chinesa.

As autoridades encerraram as páginas onde descobriram conteúdo "insalubre", uma palavra utilizada para definir páginas que contivessem assuntos religiosos e políticos polémicos, bem como excesso de violência e pornografia.

A Wikipedia, a enciclopédia na Internet de autoria colectiva, e o servidor de blogs Blogspot já foram bloqueados em diversas ocasiões e actualmente funcionam com restrições no acesso e com censura a palavras específicas que Pequim considera indesejáveis, tais como "Tibete" ou Chen Fengxiang, o líder do "Falun Gong", o grupo religioso banido pelo governo chinês.

Caso semelhante acontece com o Google, motor de busca na Internet, cujo serviço em chinês não disponibiliza o serviço de e-mail, de mensagens instantâneas e de blogues, para além de impedir buscas por palavras como "independência de Taiwan", "independência do Tibete", ou Falun Gong, para cumprir as regras da censura chinesa.

VZP.

Lusa/Fim

Agência Lusa

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