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18 de Maio de 2008, 20:14

PSD: Ferreira Leite diz que partido ficará numa posição "complexa" se perder as legislativas de 2009

"Se não nos apresentarmos ao eleitorado com um candidato a primeiro-ministro capaz de enfrentar, de igual para igual, de olhos nos olhos, o engenheiro Sócrates, o partido ficará numa posição bastante complexa", afirmou Manuela Ferreira Leite, numa sessão de esclarecimento com militantes, em Beja.

Salientando que as eleições de 31 de Maio são "decisivas" para o PSD, porque "não se vai escolher apenas mais um presidente para o partido, mas também um candidato a primeiro-ministro", Manuela Ferreira Leite alertou que o partido ficará "fraquinho" se os militantes não escolherem "alguém que enfrente as eleições legislativas com a possibilidade de vencer o engenheiro Sócrates".

"É evidente que não vou dizer que o partido vai acabar. Não acaba, mas fica bem fraquinho", disse, salientando que estar na oposição "é incómodo" para PSD, "um partido com vocação de poder".

Numa região marcada pela agricultura e instada por militantes a pronunciar-se sobre questões agrícolas, Manuela Ferreira Leite criticou a política agrícola do Governo PS e disse que o actual tutelar da pasta, Jaime Silva, "daria um grande contributo ao país se não fosse ministro".

Questionada por outro militante sobre o pagamento especial por conta, que criou quando era ministra das Finanças, Manuela Ferreira Leite disse "não estar arrependida" de ter implementado aquela medida, que considerou "essencial" para combater a fraude e a evasão fiscal.

Sublinhando que avançou para "ajudar a credibilizar" o PSD e retirá-lo da actual "situação de descrédito", Manuela Ferreira Leite fez questão de esclarecer os militantes de que "não é populista nem liberal" e que se for eleita o PSD "vai retomar as suas raízes sociais-democratas".

"Explicito completamente que eu não sou nem populista, nem liberal. Para isso terão outros candidatos. Eu sou social-democrata e se ganhar a presidência do partido o PSD retomará aquilo de que tem estado afastado: as suas raízes sociais-democratas", afirmou.

Manuela Ferreira Leite garantiu que todos os militantes são "decisivos" e "têm lugar no partido" e rejeitou a ideia das bases e das elites no PSD, que considerou uma "linguagem divisionista" e "uma luta de classes imprópria no partido".

"Não ponho de lado aqueles que não concordarem com o meu caminho, mas também não me vou deixar abalar pelas críticas e não vou, com certeza, deitar a toalha ao chão à primeira crítica, nem à segunda, nem a crítica nenhuma", disse, considerando uma "irresponsabilidade" alguém assumir a presidência de um partido e "a seguir não poder ouvir críticas".

Para Manuela Ferreira Leite, "o país precisa de um PSD forte e credível aos olhos da opinião pública", porque "as pessoas, de um modo geral, não estão muito satisfeitas com a situação que vivemos".

Por outro lado, acrescentou, "existe um Governo que está sem nenhuma motivação, porque não está a competir com ninguém. Faz o que entende e sem qualquer espécie de obstáculo".

"Provavelmente, o Governo até poderia fazer melhor do que faz. Mas não faz porque está sozinho e sem qualquer espécie de oposição", disse Manuela Ferreira Leite, defendendo que o PSD tem que "voltar a fazer oposição eficaz".

Questionada pelos jornalistas, Manuela Ferreira Leite escusou-se a comentar as acusações do líder cessante Luís Filipe Menezes, que, numa entrevista publicado hoje no Jornal de Notícias, relacionou-a "inequivocamente" com as pessoas que disse terem tentado pressioná-lo para que o PSD não avançasse com o pedido de inquérito do Banco de Portugal ao BCP porque "era muito perigoso" e "ia colocar em causa algumas off-shores de algumas personalidades".

LL.

Lusa/Fim

Agência Lusa

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