Porto, 24 Mar (Lusa) - Quase um quarto da produção científica nacional tem origem na Universidade do Porto (UP), indica um estudo do Institute for Scientific Information (ISI), dos EUA, a cujas conclusões a Lusa teve hoje acesso.
O ISI gere uma base de dados - a Web of Science (Rede de Ciência) - que semanalmente é actualizada com todos os artigos publicados num vasto conjunto de revistas científicas mundiais de todas as especialidades, previamente avaliadas, das áreas das Ciências, Ciências Sociais e Artes e Humanidades.
Os dados da Web of Science mostram que em 2007 foram publicados 7.700 artigos científicos, produzidos em Portugal, dos quais cerca de um quarto contaram com a participação de investigadores, estudantes ou docentes da UP.
Os dados disponibilizados, desde 1998 a 2007, mostram que a produção de artigos científicos produzidos em Portugal quase triplicou durante este período, já que passou dos 2.898 de 1998 para os 7.700 de 2007.
Neste mesmo período registou-se um aumento constante do peso da contribuição da UP para o número de artigos científicos publicados em revistas internacionais, provenientes de Portugal.
Em 1998, a UP contribuiu com 19,6 por cento para este número, percentagem que vem subindo anualmente até aos 22,4 por cento de 2007, com indicadores sempre superiores a 20 por cento nos últimos cinco anos.
"É claro que estamos muito satisfeitos com estes números, mas o mais importante é que eles mostram que as universidades portuguesas estão a crescer acima do crescimento do país", afirmou José Sarsfield Cabral, pró-reitor da UP hoje contactado pela Lusa para comentar estes números.
Sarsfield Cabral disse ainda que as universidades portuguesas "estão a melhorar a sua posição no contexto internacional, num campeonato com milhares de universidades em todo o mundo".
O académico referiu também que "a UP poderia conseguir uma classificação ainda melhor", mas que "acaba por ficar prejudicada por ser particularmente forte nas áreas das Artes e Humanidades, que está subrepresentada no conjunto das muitas centenas de revistas científicas consideradas pela Web of Science".
Apesar disso José Sarsfield Cabral sublinhou que as Ciências da Vida e a Química são as áreas que têm vindo a apresentar maior crescimento na Universidade do Porto, em termos de produção científica.
O pró-reitor da UP chamou ainda a atenção para o facto da UP, "que representa 14 por cento do orçamento e do número de alunos das universidades portuguesas, contribuir com 22,4 por cento em termos de produção científica nacional".
"Isto é motivo de satisfação para todos os que trabalham nesta universidade", salientou.
A UP, que é a maior universidade portuguesa, conta actualmente com 69 unidades de investigação, 31 das quais (45 por cento do total) são classificadas com "Excelente" ou "Muito Bom" nas últimas avaliações independentes realizadas pela Fundação para a Ciência e Tecnologia.
A nível internacional, a UP é a instituição portuguesa melhor colocada nos "rankings" internacionais de produção científica.
A UP está no 11º lugar no "Ranking Ibero-Americano das Instituições de Investigação e no 459º lugar no Performance Ranking of Scientific Papers for World Universities, sendo a 195ª universidade europeia nesta classificação.
PF.
Lusa/Fim

Comentários
Critério de publicação de comentários