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Educação/Marcha: Cem mil docentes exigiram demissão da ministra que garante "continuar a trabalhar" (SÍNTESE)

08 de Março de 2008, 23:55

Lisboa, 08 Mar (Lusa) - Cem mil professores desfilaram durante cerca de cinco horas, em Lisboa, na "marcha da indignaç��o" exigindo a demissão da ministra da Educação, a renegociação do Estatuto da Carreira Docente e a suspensão do processo de avaliação de desempenho.

Em declarações ao jornal da noite da SIC, a ministra Maria de Lurdes Rodrigues desvalorizou o número de manifestantes, entretanto confirmados pela PSP, afirmando "não ser relevante" e garantiu que irá continuar a trabalhar na "procura das melhores soluções".

"Vou continuar a trabalhar para encontrar as melhores soluções, tal como tenho feito e é o que vou continuar a fazer. Compreendo muito bem as razões da manifestação e tenho consciência que se está a pedir às escolas mais esforço e mais trabalho", referiu a governante, defendendo que os "resultados mostram que se está no bom caminho" em termos de reforma do sector da Educação.

A última manifestação de professores, que tinha sido até hoje a maior de sempre, realizou-se a 05 de Outubro de 2006 e juntou em Lisboa perto de 25 mil docentes, em protesto, na altura, contra o Estatuto da Carreira Docente, que acusaram o Governo de "impor" sem uma "efectiva negociação". Existem em Portugal 143 mil docentes, segundo referiu esta semana a ministra da Educação.

No final da marcha de hoje à tarde, o secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (FENPROF), Mário Nogueira, reclamou vitória sobre o Governo, "e com maioria absoluta" porque na manifestação se conseguiu a "maioria qualificada entre os professores".

Para o dirigente, os docentes "manifestaram a sua indignação, dando uma fortíssima expressão e elevado significado político ao seu protesto", enquanto a equipa ministerial de Maria de Lurdes Rodrigues "deixou de reunir condições" para se manter no cargo e "esgotou todas as condições de diálogo".

No protesto foram ainda anunciadas mais formas de luta como a realização de uma semana nacional de luto nas escolas, de um abaixo-assinado para entregar ao primeiro-ministro e de manifestações em todas as segundas-feiras durante o terceiro período.

Nogueira foi o último dirigente sindical a falar no comício que encerrou a "Marcha da Indignação" e que se prolongou por cerca de duas horas, com discursos, leitura de poemas e de mensagens de apoio e solidariedade.

Em declarações à Lusa, as Associações de Pais reconheceram ter sido cumpridas as expectativas dos sindicatos de professores em relação à adesão à marcha, mas apelaram para a manutenção do diálogo com o Ministério da Educação.

Em termos políticos, no Brasil, o Presidente da República considerou não dever "enviar mensagens" do estrangeiro e recordou o seu apelo ao respeito pelo direito à manifestação e à serenidade.

"Estou a acompanhar a situação, estou a ser informado de tudo o que está a acontecer em Portugal, mas continuo a afirmar que não é a partir do Brasil que eu devo enviar mensagens sobre as questões internas do nosso país", disse Aníbal Cavaco Silva aos jornalistas.

O porta-voz do Partido Socialista, Vitalino Canas, vincou que a manifestação "não alterará o rumo que o PS e o Governo estão a seguir" e que o compromisso do Executivo "é para com toda a sociedade e não apenas relativamente a um grupo".

"O PS olhará com atenção para os sinais que vêm da manifestação", acrescentou à Lusa.

Entre os partidos da oposição, o PSD lamentou que o primeiro-ministro se "esconda" num momento em que parece repetir-se na Educação o "filme" da Saúde, enquanto o CDS/PP pediu"bom-senso" e o Bloco de Esquerda considerou "incompreensível" a atitude da ministra.

"Já se assistiu a um filme semelhante na Saúde quando a situação se agudizou. O ministro (Correia de Campos) foi lançado às feras para se multiplicar em entrevistas e proteger o primeiro-ministro e depois foi demitido no momento mais adequado", referiu o deputado social-democrata Pedro Duarte à Agência Lusa.

A mesma fonte acrescentou que a decisão de demitir a ministra Maria de Lurdes Rodrigues pertence ao primeiro-ministro José Sócrates, mas que se podem fazer "analogias".

Por seu lado, o CDS/PP referiu "nem pedir já a demissão da ministra da Educação, mas apenas bom senso" num momento em que o sector chegou a um "beco sem saída".

"Já toda a gente percebeu que a ministra não tem condições para continuar. Já nem pedimos a sua demissão, pedimos apenas bom senso. A ministra e o primeiro-ministro são teimosos e parecem ter prazer em estar isolados e não mostrar solidariedade com os professores", disse o deputado José Paulo Carvalho, sublinhando o "autismo é isolamento" governamental.

A deputada do Bloco de Esquerda (BE) Ana Drago considerou ser "incompreensível" que a ministra desvalorize o número de manifestantes e que afirme compreender as razões, mas "não está disponível a falar com os professores.

"Diz que está aberta ao diálogo, a ouvir, mas não quer ouvir as propostas dos professores", comentou à Agência Lusa a deputada bloquista.

Numa breve paragem da marcha frente à sede do PCP, na Avenida da Liberdade, o líder parlamentar comunista Bernardino Soares manifestou a "solidariedade do PCP aos professores" contra a política que "tem os professores como alvo e a escola pública como objectivo de destruição".

A "Marcha da Indignação" foi organizada pelos dez sindicatos de professores, unidos numa plataforma, e integra a semana de luta convocada pela Frente Comum dos Sindicatos da Administração Pública, que termina dia 14 com uma greve geral.

PL/MLS/NS/ARP.

Lusa/fim

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