Lisboa, 27 Mar (Lusa) - O presidente do conselho de administração da Portugal Telecom (PT), Henrique Granadeiro, disse hoje que é contra a divulgação individual dos salários dos corpos sociais da operadora.
"A minha posição é contra a divulgação individual dos salários dos corpos sociais pela razão de que uma política de divulgação de dados individuais é o caminho inverso da meritocracia que nós temos seguido", afirmou Henrique Granadeiro, que falava à porta da Assembleia Geral da PT.
O presidente da PT deu esta resposta aos jornalistas quando questionado sobre o pedido de transparência na divulgação de prémios e salários da PT e sobre o repto do ministro Mário Lino quanto a uma exposição individual da remuneração dos membros dos órgãos sociais da incumbente.
"A curto prazo, se esses dados fossem divulgados, haveria uma indiferenciação, falta de estímulo e incapacidade para captar os melhores para a empresa", afirmou.
"Sempre fizemos a divulgação daquilo que consideramos importante, com detalhe de informação suficiente, para que não haja dúvida sobre o esforço de contenção e acréscimo de produtividade que a operadora tem feito", acrescentou Henrique Granadeiro.
O presidente disse ainda que este foi um período em que a remuneração dos orgãos sociais da empresa não acompanhou a evolução do resultado líquido, que cresceu 50 por cento.
"Se nos prémios e salários dos corpos sociais tivessemos acompanhado a evolução do resultado líquido, seguramente que teríamos prémios e um aumento substancial dos vencimentos e não foi isso que aconteceu", finalizou.
O ministro das Obras Públicas afirmou a 18 de Março concordar com o Presidente da República sobre a necessidade de contenção nos salários dos gestores, dizendo que já pediu reforço da transparência e contenção à administração da PT.
As palavras de Mário Lino foram proferidas no final do debate quinzenal na Assembleia da República, depois de confrontado com os apelos de Cavaco Silva sobre a importância de haver em tempo de crise moderação em relação aos salários mais elevados em Portugal.
"Partilho do ponto de vista do Presidente da República de que é necessário contenção, sobretudo neste período de crise que atravessamos", afirmou na altura, dizendo já ter transmitido essa mesma orientação à PT".
Segundo Mário Lino, "a administração da PT deverá dar um sinal de contenção em relação às suas remunerações e prémios de gestão".
"A PT, sendo um exemplo ao nível de gestão e de importância de projectos, deve também ser um exemplo em outras matérias", defendeu.
Mário Lino advogou ainda a necessidade de haver "transparência" na política de fixação dos salários dos gestores, sobretudo no que respeita à sua divulgação pública.
JMG/DN
Lusa/fim

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