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Zimbabué/Eleições: Mugabe pronto a dialogar, diz ministro angolano Marcos Barrica

28 de Junho de 2008, 22:55

Harare, 28 Jun (Lusa) - O chefe dos observadores eleitorais da África austral nas presidenciais do Zimbabué, o angolano José Marcos Barrica, declarou hoje ter recebido de Robert Mugabe a garantia de que estaria pronto para um processo de negociações.

"O presidente Mugabe garantiu-nos que a próxima etapa seria reunir os intervenientes relevantes no Zimbabué e negociar", afirmou o ministro dos Desportos de Angola que chefia uma equipa de 400 observadores da Comunidade dos Países da África Austral (SADC).

"Pensamos que a forma de gerir os problemas do Zimbabué passa pela negociação", acrescentou o mesmo responsável, citado pela televisão estatal do Zimbabué.

O ministro angolano encontrou-se com Robert Mugabe depois da segunda volta das presidenciais, que teve o actual presidente do Zimbabué como único candidato, depois da retirada de Morgan Tsvangirai, líder do Movimento para a Mudança Democrática.

Alguns dirigentes da SADC lamentaram que o ambiente no Zimbabué "não seja favorável a eleições livres e justas", mas a região absteve-se de qualquer comentário.

O actual presidente já tinha indicado que estaria pronto para discutir com a oposição depois da votação, mas acrescentou que continuaria a dirigir o Zimbabué.

A contagem dos votos já terminou e o anúncio dos resultados deverá realizar-se o mais tardar no domingo.

EO.

Lusa/fim

28 juin 2008 (AFP) - Le chef des observateurs électoraux d'Afrique australe déployés au Zimbabwe pour le simulacre de présidentielle a déclaré samedi avoir reçu l'assurance du chef de l'Etat zimbabwéen Robert Mugabe qu'il était prêt à s'engager dans un processus de négociations.

"Le président Mugabe nous a garanti que la prochaine étape serait de réunir les acteurs du Zimbabwe et de négocier", a déclaré le ministre des Sports de l'Angola, Jose Marcos Barrica, qui dirige une équipe de 400 observateurs de la Communauté de développement d'Afrique australe (SADC).

"Nous pensons que la manière de gérer les problèmes du Zimbabwe passe par la négociation", a ajouté M. Barrica, cité par la télévision d'Etat.

Le ministre angolais a rencontré Robert Mugabe au lendemain du second tour de la présidentielle, où le chef de l'Etat était de facto seul en lice en raison du retrait de l'opposition.

Certains dirigeants de la SADC avaient déploré que l'environnement au Zimbabwe ne soit pas "favorable à un scrutin libre et équitable", mais la région s'est abstenue de tout commentaire en tant que bloc.

Le chef de l'Etat avait déjà indiqué qu'il était prêt à discuter avec l'opposition après le scrutin, tout en ajoutant qu'il continuerait à diriger le Zimbabwe comme il l'entend.

Le dépouillement des bulletins de vote est terminé et l'annonce des résultats devait intervenir dimanche au plus tard.

sn/chp/dp/mr

A missão de observadores da Comunidade dos Países da África Austral (SADC) só se vai retirar do Zimbabué quando for oficial a desistência do líder da oposição, Morgan Tsvangirai, da segunda volta das eleições presidenciais.

O anúncio foi hoje feito, em Luanda, pelo ministro das Relações Exteriores de Angola, João Miranda, quando discursava na abertura de uma reunião do Comité Inter-Estatal de Política e Diplomacia da SADC, que decorre em Luanda.

Segundo João Miranda, a SADC é responsável por mais de 250 observadores no Zimbabué, por isso a sua desmobilização só deverá ser feita após confirmação da desistência de Morgan Tsvangirai.

João Miranda disse ainda que um relatório realizado e apresentado pelo secretário-executivo da SADC, o moçambicano Tomaz Salomão, à "troika" ministerial refere que as condições de segurança para a realização de eleições livres e justas no Zimbabué são "extremamente graves".

De acordo com o governante angolano, há cerca de duas semanas, as constantes reclamações de detenções e impedimentos de movimentação de certos candidatos, fez com que o secretário-executivo da SADC se deslocasse a Harare, capital do Zimbabué, onde pôde fazer uma análise da situação.

"Ele elaborou um relatório que foi presente à 'troika' ministerial que se reuniu no Malaui e a conclusão foi que, se o clima de insegurança continuasse até ao dia 27, elas [as eleições] poderão não ser justas nem livres", disse João Miranda.

Na sexta-feira, o Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, enviou uma mensagem a Robert Mugabe, na qual solicitava o espírito de tolerância e de respeito pelas regras democráticas.

A mensagem de José Eduardo dos Santos, transmitida verbalmente pelo chefe da Missão de Observação da SADC para as eleições do Zimbabué, o angolano José Marcos Barrica, apelava ainda para o fim de todos os actos de intimidação e violência que se registam por todo o país, de forma a transmitir "transparência e lisura" ao processo.

Angola preside ao órgão de política e defesa que faz parte da "troika" da SADC.

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