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21 de Março de 2009, 09:15

Floresta: Um pinhal onde "cabem" todos os portugueses

Serão, por isso, cerca de 15 milhões as árvores que povoam esta imensidão de verde que constitui o Pinhal de Leiria, com 700 anos, tantos quantos já passaram sobre o "governo" de um rei lavrador de nome D. Dinis.

É a este rei que se deve a promoção da sementeira do pinhal que lhe ficou com o título, que acumula com Leiria.

O Pinhal do Rei ou o Pinhal de Leiria, hoje mata nacional, ocupa dois terços do concelho da Marinha Grande com pinheiro bravo, embora, fortuitamente, apareçam pinheiros mansos, choupos, carvalhos e sobreiros, entre outras árvores.

Um maciço arbóreo de eucalipto, que alberga tão-só as mais altas árvores desta espécie na Europa, com cerca de 70 metros, é disso um exemplo "notável".

Mas há mais sete árvores com esta designação ou com a classificação de interesse público ao longo dos 11.023 hectares do Pinhal de Leiria.

Um pinheiro bravo com 185 anos e um eucalipto, também centenário, com um diâmetro médio da copa de 37,5 metros, coexistem num pinhal que a Câmara Municipal da Marinha Grande considera ser um modelo de "floresta sustentável".

"Este pinhal é considerado a primeira mata plantada pelo Homem pelo menos a nível da Europa, senão a nível de todo o mundo", explicou à agência Lusa o presidente da autarquia, Alberto Cascalho, sublinhando que, ao longo dos séculos, "foi gerida de uma forma verdadeiramente exemplar".

De tal modo que "funcionou aqui uma escola de silvicultura que conseguiu um elevado prestígio a nível internacional", acrescentou.

Por outro lado, "a mata está directamente ligada com os momentos mais altos da história de Portugal", referiu o responsável, exemplificando com a madeira que a Marinha Grande deu "para construir alguns barcos com que foram feitos os Descobrimentos portugueses".

E se não bastasse, Alberto Cascalho lembrou que a mata foi, durante séculos, "a base da sobrevivência das populações que ocuparam esta região e está também na base, no século XVIII, da implantação da indústria vidreira".

Alberto Cascalho explicou que a indústria vidreira "só se instalou na Marinha Grande devido, por um lado, às areias de qualidade aqui existentes, mas também de madeira que na altura alimentava os fornos para a produção de vidro".

"Para além de uma fonte de rendimento económico, de exploração da madeira, de resina, tem sido um espaço que é usado diariamente, intensamente, por toda a população", destacou ainda o autarca, que sublinhou a "ligação afectiva" da "população à sua mata".

"A mata é fundamental para manter a qualidade de vida das nossas populações, não só deste concelho, como em toda a região", afirmou Alberto Cascalho, considerando que é o seu "principal pulmão".

Um "pulmão" que se divide por 342 talhões - cada um com cerca de 36 hectares - justificado pelo facto de a "mata ser muito grande", como referiu à agência Lusa Octávio Ferreira, um estudioso do Pinhal de Leiria.

O responsável acrescentou que cada talhão tem um bilhete de identidade, onde constam, por exemplo, a data da sementeira, a quantidade de sementes, a preparação que o terreno teve ou a limpeza a que se procedeu, assim como, se for caso disso, incêndios.

"Registam-se, igualmente as limpezas de matos ou os desbastes, normalmente que ocorrem de cinco em cinco anos ou de dez em dez, dependendo do crescimento das árvores", referiu Octávio Ferreira.

E se nem incêndios ou outros factores perturbarem o Pinhal de Leiria, o corte dos pinheiros acontece quando estes chegarem aos 80 anos de vida.

Hão-de nascer, depois, é certo, outros, num processo de florestação que aproveita a regeneração natural, isto é, as sementes que o pinheiro deposita no solo.

Este processo tem a sua génese há cerca de oito séculos e manteve-se até 1914, para ser retomado há cerca de duas décadas, esclareceu Octávio Ferreira.

"Hoje em dia, com os conhecimentos técnicos e a possibilidade de a tecnologia permitir a limpeza mecânica de matos, é um processo muito mais económico e muito mais natural, sendo que o pinhal daí resultando é de grande qualidade", afiançou.

Lusa/Fim

Agência Lusa

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