De acordo com um deputado social-democrata, na reunião da bancada Paulo Rangel considerou que as declarações de José Sócrates "só afastam" a possibilidade de um entendimento entre PSD e PS quanto ao sucessor de Nascimento Rodrigues no cargo de Provedor de Justiça.
O primeiro-ministro, José Sócrates, admitiu na quarta-feira a possibilidade de o PS avançar sozinho com a proposta de um candidato a Provedor de Justiça -- que, por imposição constitucional, tem de ser aprovado com os votos de dois terços dos deputados.
Na reunião da bancada social-democrata, Paulo Rangel defendeu o princípio de que deve ser o PSD a indicar o nome do novo Provedor de Justiça e disse que, mesmo que seja o PS a fazer a proposta, tem de ser alguém com um perfil de isenção, de rigor.
Paulo Rangel acrescentou que o nome proposto tem de ser susceptível de receber o voto favorável dos deputados do PSD, assinalando que a eleição é por votação secreta, relatou à agência Lusa um deputado social-democrata.
Segundo o mesmo deputado, Paulo Rangel foi questionado por um colega de bancada sobre que nomes propostos pelo PS foram chumbados pelo PSD.
Na resposta, Rangel referiu o nome do fundador do CDS-PP e ex-ministro dos Negócios Estrangeiros do actual Governo Freitas do Amaral.
Além de Freitas do Amaral, o PS propôs o socialista António Arnaut e o independente próximo do PS Rui Alarcão, enquanto o PSD sugeriu o nome do ex-ministro da Justiça dos governos de Cavaco Silva Laborinho Lúcio, disseram à agência Lusa fontes dos dois partidos.
De acordo com o líder parlamentar socialista, Alberto Martins, na semana passada o PS fez "uma proposta forte", sem "qualquer tentação partidária", em relação à qual espera agora uma resposta do PSD.
Fonte socialista disse à agência Lusa que a proposta do PS é um quarto nome e não a renovação de uma das três propostas feitas anteriormente.
Por parte do PSD ninguém confirmou que foi feita uma nova proposta na semana passada nem que exista um único nome em cima da mesa.
Quanto ao partido a quem cabe indicar o nome do Provedor, PS e PSD mantêm a sua divergência.
Um dirigente nacional social-democrata defendeu, em declarações à agência Lusa, que ao PS não compete propor nomes, mas sim justificar a recusa das propostas do PSD porque, no entender dos sociais-democratas, o cargo de Provedor de Justiça é uma excepção à ocupação de cargos por parte do PS.
IEL.
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