Macau, China, 12 Mar (Lusa) -- O Instituto Português do Oriente (IPOR) decidiu, em assembleia geral realizada em Lisboa, suspender a venda da Livraria Portuguesa, revelou Carlos Monjardino ao jornal Ponto Final, de Macau.
De acordo com a edição de hoje do jornal de língua portuguesa que se publica em Macau, a assembleia geral do IPOR não só decidiu protelar a venda das instalações da Livraria Portuguesa como adiar uma nova concessão de exploração para o final do contrato do actual concessionário, que termina em 2010.
Carlos Monjardino explicou também que a futura concessão será atribuída por concurso público que será lançado antes de terminar o acordo com Aloísio da Fonseca, antigo presidente do IPOR que explora a Livraria Portuguesa.
Apesar de recuar na venda do espaço da Livraria Portuguesa, o IPOR avança com a venda do sétimo andar no mesmo edifício, um apartamento que tem funcionado como escritório e armazém da Livraria.
Carlos Monjardino justifica parte da decisão de suspender a venda com o parco rendimento -- fixou em dois por cento - que se poderia obter da aplicação dos cerca de 50 milhões de patacas (cinco milhões de euros) resultantes da venda do espaço.
A suspensão do processo surge depois da Casa de Portugal ter lançado na Internet uma petição intitulada "Salvemos a Livraria Portuguesa" que recolheu em poucos dias mais de 3.500 assinaturas contra a venda do espaço, considerado uma referência da cidade e da cultura em português.
Em declarações à agência Lusa, a presidente da Casa de Portugal, Amélia António, congratulou-se com a decisão tomada pela assembleia geral do IPOR.
"Felicito os associados do IPOR pelo realismo que tiveram a encarar o problema e a comunidade que se reuniu em torno da defesa da Livraria Portuguesa", afirmou Amélia António.
A presidente da Casa de Portugal disse ser agora tempo de "fazer o que o ministro dos Negócios Estrangeiros anunciou em 2008, uma análise completa das instituições portuguesas em Macau e definir os rumos apropriados à manutenção da língua e cultura portuguesas no território".
"Isto só pode ser feito com uma auscultação atenta da comunidade de Macau para que não se viva sempre em sobressalto sobre a continuidade das instituições portuguesas existentes", concluiu.
JCS.
Lusa/fim

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