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22 de Janeiro de 2009, 10:46

Justiça: Advogado de Leonor Cipriano suspenso de funções, alvo de processo disciplinar da Ordem de Advogados (ACTUALIZADA)

Marcos Aragão Correia deveria participar hoje no tribunal de Faro na continuação do julgamento das alegadas torturas de elementos da Polícia Judiciária à sua constituinte, mas ausentou-se do tribunal cerca das 10:20.

Questionado pelos jornalistas, Marcos Aragão Correia apenas disse que voltaria dentro de 15 minutos.

O advogado de Leonor Cipriano foi notificado hoje de manhã por um elemento do Conselho Distrital do Algarve da Ordem dos Advogados, Hélder de Sousa, que se escusou a especificar o teor do processo disciplinar instaurado a Marcos Aragão Correia.

A notificação teve lugar numa sala do tribunal de Faro, antes do início da sessão de hoje do julgamento.

Na sessão de hoje está prevista a audição de Ana Maria Calado, directora do Estabelecimento Prisional de Odemira, onde Leonor Cipriano se encontra a cumprir a pena 16 anos de cadeia a que fora condenada pelo assassínio da sua filha Joana.

No dia da última sessão do julgamento, a 16 de Janeiro, o advogado de Leonor Cipriano, Marcos Aragão Correia, leu um comunicado de imprensa onde informava que a mãe de Joana havia revelado factos novos referentes ao desaparecimento da filha, documentados e assinados recentemente na prisão de Odemira, onde se encontra detida.

Segundo o advogado, o tio da menina Joana, João Cipriano, terá convencido a irmã, Leonor Cipriano, a entregar a filha aos cuidados de pessoas estranhas à família, em contrapartida de uma ajuda monetária.

O ex-inspector da PJ Gonçalo Amaral, confrontado com os novos factos, classificou no dia da última sessão de julgamento de "mentiras" as declarações que alteram o depoimento inicial de Leonor Cipriano.

O processo das alegadas agressões a Leonor Cipriano por inspectores da PJ está relacionado com o denominado "caso Joana", que remonta a 12 de Setembro de 2004, dia em que a menina, de oito anos, desapareceu da aldeia de Figueira, Portimão, Algarve.

As acusações do Ministério Público contra cinco inspectores e ex-inspectores da Judiciária surgiram na sequência dos interrogatórios na PJ de Faro em 2004, altura em que Leonor terá aparecido com lesões na cara e no corpo no Estabelecimento Prisional de Odemira, onde estava em prisão preventiva.

Três inspectores são acusados de crime de tortura, um é acusado de crime de falso testemunho e de omissão de denúncia e um quinto é acusado do crime de falsificação de documento.

A mãe de Joana, Leonor Cipriano, e o tio, João Cipriano (ambos irmãos), estão condenados pelo Supremo Tribunal de Justiça a 16 anos de prisão cada um, pelos crimes de homicídio e ocultação de cadáver da criança.

CCM/ANB

Lusa/Fim

Agência Lusa

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