Cascais: Moradores do Fim do Mundo protestam contra demolições previstas para 3ªfeira

De acordo com um comunicado da Associação de Moradores do Fim do Mundo e do Grupo Direito à Habitação, no passado dia 08 a autarquia garantiu que as próximas demolições só aconteceriam a partir de 15 de Fevereiro e que seriam demolidas casas de pessoas já realojadas ao abrigo do Programa Especial de Realojamento (PER).

"Na última sexta-feira, os moradores do bairro foram surpreendidos com uma equipa de técnicos e um aparato policial, que ao bairro foram colar editais de demolições previstas para amanhã (22/01) em 12 casas, além de lhes cortarem a luz e água, sem o menor aviso prévio", acrescenta a Associação.

Segundo disse à Lusa Rita Silva, da Associação Solidariedade Imigrante, ao contrário do que a Câmara tinha acordado, estas demolições "deixam na rua 26 pessoas, sem qualquer alternativa".

A responsável diz que as demolições previstas para terça-feira incluem igualmente o caso de uma mulher com cinco filhos, que está inscrita no PER, mas que até ao momento apenas foi informada pela autarquia que "terá a chave da nova casa daqui a três ou quatro semanas".

"O que temos pedido é que a autarquia articule com o Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana uma alternativa para as pessoas que ficam sem casa. Até pode ser temporário..., mas a câmara diz que os moradores têm de negociar directamente", explicou, acrescentando que o IHRU "diz que só negoceia com as câmaras, que elas é que têm de funcionar como intermediários".

Em comunicado, a Associação de Moradores do Fim do Mundo e o Grupo Direito à Habitação lembram que o Programa PROHABITA accionado pela Câmara de Cascais "prevê a construção de casas sociais somente para 55 agregados familiares, mas sabe-se que a demanda da população é mais que o dobro deste número".

Na reunião com a comissão de moradores, a autarquia comprometeu-se igualmente a fazer um novo levantamento das casas do bairro.

"Os moradores do Fim do Mundo não aceitam mais essa falta de respeito e estão dispostos a resistir à demolição de amanhã", marcada para as 08:30, lembra a Associação em comunicado.

O PER do concelho de Cascais, lançado em 1993, tem cinco mil famílias inscritas para realojar. No Fim do Mundo, que está a ser demolido desde 2002, estão recenseados 278 agregados familiares.

Há ainda um protocolo negociado entre a Câmara de Cascais e uma Instituição Particular de Solidariedade Social que prevê a construção de casas para 55 famílias.

Segundo a Associação Solidariedade Imigrante, há no bairro do Fim do Mundo 110 famílias fora dos programas de realojamento.

Acabar com o bairro do Fim do Mundo, no Estoril, foi uma promessa feita por muitos autarcas, mas cuja solução tem demorado a acontecer.

Desde os anos 70 que o vale da Galiza foi sendo preenchido com centenas de barracas construídas por imigrantes da Guiné, Cabo Verde, Angola e de etnia cigana.

Os cerca de dois hectares de terreno camarário que constituem o Bairro do Fim do Mundo serão futuramente ocupados por um Centro Comunitário.

SO

Lusa/Fim

@ Agência Lusa

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