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25 de Outubro de 2007, 20:42

Organizações europeias manifestaram-se em Lisboa para exigir abolição das experiências com animais na UE

O protesto foi organizado pela associação portuguesa Animal em frente ao ministério que tutela a protecção dos animais em Portugal para pedir a revisão da directiva que regulamenta a actividade de experimentação animal na União Europeia (UE).

A iniciativa integrou uma campanha organizada pela Coligação Europeia para a Abolição das Experiências com Animais (CEAEA) dirigida aos legisladores comunitários e que tem como objectivo proibir o uso de primatas em experiências.

Segundo a Animal, "são usados na UE, todos os anos, cerca de 10 mil primatas em investigação científica, em nome de uma ciência que acredita que os resultados em primatas reflectem os resultados obtidos em humanos."

Em Portugal não se fazem experiências com primatas, mas na opinião do presidente da associação portuguesa, Miguel Moutinho, "a experimentação animal em Portugal não está supervisionada", acrescentando que a Direcção Geral Veterinária, dependente do Ministério da Agricultura, "não é interveniente e não fiscaliza."

Segundo Miguel Moutinho, os dados oficiais mostram que "45 mil animais são usados por ano, no nosso país, em experimentação, sejam cães, gatos, animais de quinta, roedores, etc."

A presidente da CEAE e directora executiva da associação inglesa União Britânica para a Abolição da Vivissecção (BUAV), Michelle Thew, afirmou que as associações estrangeiras vieram a Portugal "de propósito para se manifestarem contra a experimentação com primatas"

"Estamos a pedir ao governo português, enquanto está à frente da presidência europeia, para usar esta oportunidade para acabar com estas experiências na Europa. Mais de 80 por cento dos cidadãos europeus, em dados recentes, disseram querer pôr fim a essas experiências imorais e muito questionáveis em termos científicos", acrescentou a presidente da coligação.

As associações apelam para que não só Portugal, mas todos os países da UE, adoptem "métodos avançados de experimentação e pesquisa científicas, sendo que estes já existem e são não-animais."

Miguel Moutinho disse ainda que "Portugal deve avançar com uma nova lei de protecção dos animais que assuma a forma de um Código de Protecção dos Animais moderno, eficaz, progressista e justo", acrescentando que a actual lei está "ultrapassada".

O esboço da directiva revista deveria ter sido apresentado no início deste ano, mas ainda não se conhece a nova versão.

Para o presidente da Animal o atraso explica-se por "a protecção legislativa dos animais não estar no topo da agenda política europeia ou portuguesa"

Para as associações presentes, esta é a última fase de pressão "para que os organismos legisladores da UE percebam que nesse esboço deverão incorporar a proibição do uso concreto de primatas."

Face à fraca adesão à iniciativa, que contou com cerca de 30 pessoas, a vice-presidente da Animal, Rita Silva explicou que "esta era uma acção simbólica."

"Esta é uma acção simbólica, não requeria a presença das pessoas. É normal haver antes da reunião da CEAE uma acção destas, portanto quisemos fazer o mesmo", sublinhou a vice-presidente da associação Animal, Rita Silva.

Estiveram presentes nesta acção de protesto, além da britânica BUAV e da portuguesa Animal, as associações Pessoas para os Direitos dos Animais da Alemanha, Médicos e Cientistas contra a Experimentação Animal e Federação para o Bem-Estar Animal da Alemanha, "Um animal, um amigo" da Holanda, GAIA Da Bélgica, Animalia da Finlândia, Animal Rights da Suécia, Lav da Itália e a Animal de Portugal.

MZA.

Lusa/fim

Agência Lusa

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