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Literatura: Retrato de Lisboa entusiasma público no Festival de Poesia de Berlim

08 de Julho de 2008, 11:28

Berlim, 08 Jul (Lusa) - O fado, o rap, a lírica moderna e a de inspiração africana foram a base para um Retrato de Lisboa visto e aplaudido segunda-feira à noite por mais de 200 pessoas no Festival de Poesia de Berlim.

O público, na sua grande maioria jovens alemães, ouviu atentamente a poetisa angolana Ana Paula Tavares, residente em Lisboa, e o poeta Paulo Teixeira, português nascido em Moçambique, lerem algumas das suas obras, antes de darem lugar ao fado.

Por coincidência, Paulo Teixeira declamou em Berlim poemas do seu novo livro, "Auto-Biografia", no dia em que esta obra surgiu nas livrarias alemãs.

Aldina Duarte cantou então, em silêncio religioso, só interrompido por fortes aplausos no final de cada tema, alguns fados que ela própria compôs, e outros de Luís de Azevedo ou de Manuela de Freitas, por exemplo.

No caso dos poetas, os textos foram projectados num ecrã gigante no palco, para o público poder acompanhar as declamações, e as letras dos fados de Aldina Duarte foram previamente distribuídas em papel, num primor de organização germânica.

A ideia para o Retrato de Lisboa partiu do director do Festival de Poesia de Berlim, Thomas Wohlfarht, e foi depois arquitectada pela directora da Casa Fernando Pessoa, a escritora Inês Pedrosa.

"Alguns amigos em Lisboa disseram-me que estavam insatisfeitos com a imagem que a cidade tem junto de nós, alemães, e julguei que esta seria uma boa forma de corrigir isso", explicou Wohlfahrt.

Embora experiente nestas andanças, o director do festival ficou surpreendido com a adesão do público berlinense, que obrigou a colocar altifalantes fora da sala para quem já não conseguiu bilhete poder pelo menos ouvir os embaixadores da cultura "alfacinha".

A concentração manteve-se quando a germanista e poetisa Teresa Balté leu trechos de livros publicados nos anos oitenta e anos noventa, fazendo simultaneamente uma homenagem ao falecido marido, o alemão escultor e pintor alemão Hein Semke, com a projecção em ecrã de algumas das suas obras.

A concluir o Retratto de Lisboa, Carlos Nobre Neves, vocalista dos Da Weasel, e mais conhecido por Pacman, trouxe a Berlim a batida dos subúrbios lisboetas, envolvida na poesia de Al Berto, Fernando Pessoa e Manuel Alegre, ou em temas seus.

No sábado, o Festival de Poesia de Berlim já tinha tido ocasião de ver ao vivo o poeta e deputado português que declamou várias obras suas na Academia das Artes, ao lado do brasileiro Arnaldo Antunes e de sete autores de outras nacionalidades.

A 9.ª edição do Festival de Poesia de Berlim, o maior da Europa no seu género, é este ano parcialmente dedicado à lírica lusófona, sob o lema "Die Welt auf Portugiesisch".

No domingo, os poetas e músicos africanos de expressão portuguesa Armando Artur (Moçambique), Olinda Beja (S. Tomé e Príncipe), Mário Lúcio Toni Tcheka (Guiné-Bissau) João Maimona, Kalaf (Angola) foram os protagonistas do "Mar de África", um espectáculo colorido e vibrante que também entusiasmou o público alemão.

O festival, em que participam mais de 150 autores de 25 países, abrange cerca de 40 actividades, e prossegue hoje com um concerto dos brasileiros Chico César e Arnaldo Antunes.

FA

Lusa/fim

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