Página gerada às 15:59h, domingo 22 de Novembro

Educação/Marcha: Mais de metade dos professores portugueses pedem fim da actual política educativa - SÍNTESE

08 de Março de 2008, 16:58

Lisboa, 08 Mar (Lusa) - Mais de metade de todos os professores portugueses aderiram hoje à "Marcha da Indignação", em Lisboa, em protesto contra as políticas educativas do Governo de José Sócrates, onde apelaram à demissão da ministra da Educação.

Segundo números avançados no final do desfile pelos sindicatos que organizaram a marcha, mais de 80 mil professores aderiram ao protesto, o que representa mais de metade da classe profissional, estimada em 143 mil doecentes.

O número de participantes foi confirmado pela agência Lusa junto da Polícia de Segurança Pública (PSP).

Os sindicatos de professores responsáveis pela manifestação consideram que "não há condições para mais diálogo" com a ministra da Educação, sublinhando que a marcha juntou quase dois terços da classe profissional.

"Neste momento, depois desta manifestação impressionante, dizemos que a actual equipa ministerial não tem condições para continuar", afirmou Mário Nogueira, pouco depois da chegada da cabeça da manifestação à Praça do Comércio, em Lisboa.

"Não é possível ter alguém à frente do Ministério que tem, contra si, dois terços dos professores", declarou aos jornalistas.

Para os sindicatos, o primeiro-ministro tem de fazer uma leitura deste protesto, demitindo a ministra Maria de Lurdes Rodrigues.

"O primeiro-ministro tem de fazer uma leitura desta manifestação. É impossível manter uma política ministerial nestas condições. Com uma manifestação destas, este passa a ser um problema do Governo", disse Mário Nogueira, porta-voz da Plataforma Sindical e secretário-geral da Fenprof (Federação Nacional de Professores).

"A ministra não pode governar com este número de profissionais a protestar na rua", acrescentou.

Sob os lemas "assim não se pode ser professor" e "a escola pública não aguenta mais esta política", os professores desfilaram da Avenida da Liberdade em direcção à Praça do Comércio, onde se realizará um comício.

Muitos docentes decidiram vestir-se de negro, uma forma de exteriorizar o sentimento de luto da classe.

"Está na hora, está na hora de a ministra ir embora", "Categoria há só uma, professor e mais nenhuma" e "Ministra escuta, professores estão em luta", são algumas das palavras que foram gritadas pelos professores.

Durante a marcha, os professores receberam o apoio e solidariedade do PCP e do Bloco de Esquerda, que pediu a demissão da titular da pasta da Educação.

Em declarações aos jornalistas, o líder parlamentar comunista Bernardino Soares manifestou a "solidariedade do PCP aos professores" nesta marcha contra a política que tem os docentes "como alvo e a escola pública como objectivo de destruição".

Também o dirigente comunista António Filipe saudou os milhares de docentes e aproveitou para participar na marcha.

Já o líder do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, considerou a manifestação uma "enorme moção de censura ao Governo" e defendeu a demissão de Maria de Lurdes Rodrigues.

"Esta manifestação é uma enorme moção de censura ao Governo, uma moção de censura da rua, da democracia", afirmou Louçã aos jornalistas no início da "Marcha da Indignação".

ARP/MLS/NS

Lusa/fim

Comentários

Critério de publicação de comentários

 

Banca de Jornais

 
 
 
 

Lusa