Furacão : Três anos depois do Katrina, Nova Orleães treme à espera do Gustav

Em 2005, os habitantes da cidade esperaram até à última hora para deixarem a cidade antes da chegada do furacão que fez 1.500 mortos no Luisiana e nos Estados vizinhos.

Hoje, eles receiam o pior numa altura em que a tempestade tropical Gustav fez já cerca de 80 mortos nas Caraíbas e passou de novo a furacão.

O presidente norte-americano, George W. Bush, declarou sexta-feira o estado de emergência na Luisina na previsão da chegada do furacão Gustav, desbloqueando as ajudas federais às potenciais vítimas, no dia que se assinala o triste aniversário.

Em Nova Orleães, cidade reputada pela sua descontracção, muitos habitantes estão agarrados aos boletins da meteorologia que anunciam que Gustav vai chegar às costas da Luisiana segunda-feira à noite ou terça-feira de manhã, com a força de um furacão.

"Isto deixa-me louco, é como reviver a mesma coisa", disse Liese Dettmer, música que se ocupa das reservas num clube. Ela perdeu tudo durante a passagem do Katrina em 2005, e tinha previsto "festejar" este terceiro aniversário recebendo as chaves da sua nova casa na aldeia dos Músicos.

Criada por Habitat for Humanity, este conjunto de casas de preços acessível visa permitir aos músicos encontrarem um tecto e restaurar a cultura jazz da cidade.

Todavia, dois anos e meio depois de ter assinado os papéis para comprar esta casa, ela tem de esperar até 05 de Setembro para se instalar, tal como outras 28 famílias, na condição de Gustav poupar desta vez Nova Orleães.

Liese Dettmer faz parte dos habitantes que só evacuaram a cidade no último momento a 29 de Agosto de 2005. Alugou um carro e fugiu às duas horas da manhã de 28 para casa dos pais no Tennessee, menos de 24 horas antes do Katrina atingir a cidade.

O seu apartamento do centro da cidade ficou inundado, com o tecto arrancado pelas rajadas de vento. Perdeu tudo.

Mas hoje, os habitantes da cidade encaram a situação de outro modo e preparam-se para a chegada do Gustav.

As autoridades federais, do Estado da Luisiana ou da cidade, prometeram não repetir os erros de 2005, onde foram severamente criticados pela sua gestão desastrosa.

Eles vigiam os sítios da Internet que mostram modelos sofisticados de detecção dos furacões durante todo o dia, e até com uma semana de avanço. As mercearias vão enchendo as prateleiras, regularmente esvaziadas, de garrafas de água.

Quarta-feira, o presidente de câmara da cidade, Ray Nagin, afirmou que ninguém será autorizado a ficar em Nova Orleães quando o Gustav atingir a força e o itinerário anunciados.

"Há autocarros, motoristas, aviões, comboios. Há toda uma estratégia diferente da última vez para retirar as pessoas, a começar por aqueles que têm necessidade de cuidados médicos particulares", declarou à cadeia de televisão norte-americana CNN.

Mas a população está inquieta.

A reconstrução foi longa, os hospitais destruídos, os empregos deslocados e a universidade de Nova Orleães, construída à beira de um lago, ficou devastada.

TM.

Lusa/Fim

@ Agência Lusa

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