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20 de Março de 2008, 23:41

Anúncio de imprensa faz ressurgir Ordem dos Templários

Desde aquele concílio, os Templários pareciam ter-se esfumado da face da Terra até terça-feira, quando o diário The Daily Telegraph publicou um grande anúncio com um título chamativo: "A ANTIGA E NOBRE ORDEM DOS CAVALEIROS TEMPLÁRIOS".

O aviso, divulgado precisamente quando se cumpriam 694 anos da morte de Jacques de Molay, celebra a decisão que o Vaticano tomou no ano passado de divulgar o denominado "Folio de Chinon", um pergaminho descoberto em 2001 nos Arquivos Secretos do Vaticano.

Fechado em Chinon (França) em 1308, esse documento prova que o papa francês Clemente V (1264-1314) absolveu o Grão-Mestre dos Templários e seus seguidores mas Felipe IV da França ignorou-o e conseguiu que o Concílio de Vienne decretasse a dissolução da ordem em 1312.

O anúncio, que ocupa quase toda a página 19 do periódico, adianta que os templários vão pedir ao pontífice Bento XVI que "restaure a Ordem com os deveres, direitos e privilégios para o século XXI e os vindouros".

Anima ainda "os grupos templários e os companheiros de armas de todo o mundo" a porem-se em contacto com a Ordem para organizar "em devido tempo" uma reunião com o fim de renovar essa arcaica sociedade.

O aviso inclui a suposta direcção da Antiga e Nobre Ordem dos Cavaleiros Templários no ocidente de Londres, uma morada que - segundo o diário The Guardian - corresponde à empresa de contabilidade Sloane & Co.

A misteriosa ligação entre a Ordem e os contabilistas justifica-se pelo facto de Sloane servir, ao que se julga, de representante oficial da organização de benemerência "Fundação dos Cavaleiros Templários", que figura igualmente no anúncio.

O anúncio publicitário do grupo dos monges-guerreiros está em duas páginas de Internet (www.theknightstemplar.info y www.theknightstemplar.org.uk) e numa direcção de correio electrónico (infor@theknightstemplar.info).

Não parece fácil, contudo, que o Santo Padre aceda à petição dos Cavaleiros Templários, já que a restauração da Ordem dos Templários "poderia abrir uma enorme caixa de Pandora", advertiu o teólogo e historiador Martin Palmer.

Na opinião de Palmer, isso poderia acontecer, por exemplo, se os modernos templários reclamassem os direitos sobre as propriedades que a Igreja confiscou há quase sete séculos.

A também chamada Ordem do Templários foi uma sociedade medieval de carácter religioso e militar fundada em 1118 em Jerusalém por nove cavaleiros franceses, com o guerreiro Hugo de Payens à frente.

A Ordem surgiu com o objectivo de proteger os peregrinos cristãos e defender Jerusalém, cidade reconquistada depois da primeira cruzada (1096-1099) contra o domínio muçulmano.

Os monges-guerreiros converteram-se durante quase dois séculos em donos de castelos, terras e mosteiros de toda a Europa e Terra Santa, assim como nos banqueiros mais fiáveis do Medieval.

Todavia, este poderio eclipsou-se a 18 de Março de 1314, quando o último Grão-Mestre dos Templários, Jacques de Molay, morreu numa fogueira montada num cadafalso numa ilha do rio Sena en Paris, depois de ser torturado juntamente com os seus lugares-tenentes.

O Grão-Mestre sofreu assim as iras do rei Felipe IV de França (1268-1314), cognominado "O Belo" e o maior devedor dos templários, que decidiu em 1307 confiscar-lhes as riquezas e acusar os seus membros de práticas heréticas e imorais.

Por essa razão e obviando esse "Folio de Chinon", Felipe IV conseguiu que o Concílio de Vienne dissolvesse a Ordem.

Os Templários estiveram também presentes em Portugal, onde ajudaram, durante os séculos XII e XIII, nas batalhas contra os muçulmanos, nomeadamente na conquista de Santarém pelo rei D. Afonso Henriques, tendo recebido como recompensa extensas propriedades e poder político.

O rei D. Dinis conseguiu transferir as propriedades, incluindo castelos, e os privilégios dos Templários, depois de extintos, para a Ordem de Cristo, criada em 1319.

TM.

Lusa/Fim

Agência Lusa

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