Lisboa, 06 Nov (Lusa) - Diz que Lisboa é uma "cidade maravilhosa", pela forma como combina o velho e o novo, e aposta nas ecocidades como as metrópoles do futuro.
De visita ao Parque das Nações, o urbanista britânico Peter Hall diz que aquele espaço resultou de "uma das maiores intervenções do género na Europa".
"É uma das maiores e mais emocionantes intervenções do género na Europa", disse Peter Hall, em entrevista à agência Lusa antes de participar na primeira conferência do ciclo "A Cidade no Século XXI: Reflexões, Desafios e Estratégias", que a Parque Expo organiza a partir de hoje no Pavilhão de Portugal.
O urbanista e geógrafo, que entre 1991 e 94 foi conselheiro do governo britânico para a área do planeamento estratégico, elogia a intervenção urbana no Parque das Nações, sobretudo porque "foi muito bem programada".
"Tudo foi feito de forma muito cuidadosa e de acordo com um plano muito bem programado e a forma como alguns edifícios foram reutilizados foi com base num conceito de um novo centro de cidade, não o afastando do centro da verdadeira cidade", afirmou.
Comparando a intervenção naquela zona da capital com o trabalho de reconversão urbana nas Docklands, em Londres, Hall é peremptório: "É preciso ter um plano estratégico, que foi o que falhou no caso das Dopcklands, em Londres", onde "foi permitido todo o tipo de desenvolvimento".
"Podíamos ter feito muito melhor", reconheceu.
Quando questionado sobre como serão as cidades do futuro, Peter Hall não hesita: "As ecocidades são as cidades do futuro, mas nós ainda não sabemos bem o que é uma ecocidade".
A propósito do plano do Governo britânico para construir ecocidades no Reino Unido, Hall lembra as principais dificuldades apontadas no último relatório que analisou o processo: os locais para instalar estas cidades.
"É melhor construi-las como satélites, quase como subúrbios/extensões das cidades existentes, do que enquanto lugares isolados, no campo, longe de tudo, sobretudo das oportunidades de emprego e do comércio, o que obrigaria ao uso do transporte individual", defende.
Hall diz que o trabalho do urbanista é "um grande desafio e envolve muita imaginação para encontrar soluções para transformar as cidades, sobretudo as que têm dificuldades económicas".
A propósito do último relatório das Nações Unidas sobre o estado das cidades mundiais, que aponta Portugal como um dos seis países europeus onde as desigualdades nas cidades são maiores, Hall afirma: "É um paradoxo (...) as desigualdades nos países e nas cidades tendem a ser maiores quando temos um rápido desenvolvimento", afirmou.
Como justificação aponta duas razões: "À medida que a cidade enriquece algumas pessoas tornam-se muito ricas e também porque as cidades de sucesso atraem muitos imigrantes, sobretudo pobres, que procuram ser cada vez menos pobres".
Sobre os efeitos da crise económica mundial no desenvolvimento das metrópoles o especialista não duvida: "As cidades deverão tornar-se locais menos vibrantes, mas ao mesmo tempo as desigualdades diminuirão".
Quando questionado sobre as cidades favoritas, Hall diz que tem várias e reconhece que as escolhas que faz resultam de "opções bem excêntricas".
Berlim e Los Angeles são duas das eleitas. A primeira pelo "peso histórico" e a segunda, "que é a antítese de tudo o que se deve gostar", por ter sido um modelo para a forma como as cidades se desenvolveram no século XX.
"Tem uma vibração especial e é um modelo pela forma como as cidades se desenvolveram no século XX e não pela forma como se devem desenvolver no século XXI", concluiu.
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