Página gerada às 15:13h, domingo 22 de Novembro

Educação/Marcha: Oposição critica comentários da ministra sobre protesto dos professores

08 de Março de 2008, 21:56

Lisboa, 08 Mar (Lusa) - O PSD lamentou hoje que o primeiro-ministro se "esconda" num momento em que parece repetir-se na Educação o "filme" da Saúde, enquanto o CDS/PP pediu"bom-senso" e o Bloco considerou "incompreensível" a atitude da ministra.

Os partidos da oposição comentavam à Lusa as declarações da ministra Maria de Lurdes Rodrigues de "não ser relevante" a presença de cerca de 100 mil professores na "marcha da indignação", em Lisboa, e que irá continuar a trabalhar na "procura pelas melhores soluções".

"Já se assistiu a um filme semelhante na Saúde quando a situação se agudizou. O ministro (Correia de Campos) foi lançado às feras para se multiplicar em entrevistas e proteger o primeiro-ministro e depois foi demitido no momento mais adequado", referiu o deputado social-democrata Pedro Duarte à Agência Lusa.

O porta-voz do PSD para a Educação acrescentou que a decisão de demitir a ministra Maria de Lurdes Rodrigues pertence ao primeiro-ministro José Sócrates e "não se pode fazer futurologia".

"Mas podem-se fazer analogias com o que se passou no Ministério da Saúde, onde o ministro saiu quando se reconheceu que existia desfasamento da confiança dos utentes no Serviço Nacional de Saúde e por maioria de razão, a situação na Educação é mais grave e complexa", acrescentou.

Para Pedro Duarte, a actual governante da Educação "não tem credibilidade e tem um desfasamento muito grande da realidade.

"Por isso já não atribuo grande relevância às palavras da ministra, mas o primeiro-ministro deve dizer o que pensa da manifestação de hoje e não se esconder", concluiu.

Por seu lado, o CDS/PP referiu "nem pedir já a demissão da ministra da Educação, mas apenas bom senso" num momento em que o sector chegou a um "beco sem saída".

"Já toda a gente percebeu que a ministra não tem condições para continuar. Já nem pedimos a sua demissão, pedimos apenas bom senso. A ministra e o primeiro-ministro são teimosos e parecem ter prazer em estar isolados e não mostrar solidariedade com os professores", disse o deputado José Paulo Carvalho, sublinhando o "autismo é isolamento".

Para o deputado democrata-cristão, chegou-se a uma "situação de ruptura total" e o "mínimo que a ministra e o primeiro-ministro têm a fazer é perceber que todos os agentes do sistema educativo reagiram em uníssono".

"É impossível que não se perceba quando dois terços dos professores estão contra a política do Ministério da Educação. Damos razão aos professores porque o sistema de avaliação de desempenho é completamente absurdo, imposto à força e a meio do ano lectivo", referiu, recordando o projecto de pedido de resolução para que a avaliação se inicie apenas no ano lectivo de 2008/2009.

Já a deputada do Bloco de Esquerda (BE) Ana Drago considerou ser "incompreensível" que a ministra desvalorize o número de manifestantes presente na "marcha da indignação", 100 mil, segundo os sindicatos, e mais de 85 mil conforme as contas da PSP.

"A ministra diz que compreende as razões dos professores, mas não está disponível a falar com os professores. Diz que está aberta ao diálogo, a ouvir, mas não quer ouvir as propostas dos professores", comentou à Agência Lusa a deputada bloquista.

Para a deputada, "é incompreensível dizer isto no dia em que milhares de professores estiveram na rua num protesto da maior importância".

O PCP escusou-se a comentar as declarações da ministra sobre a manifestação de hoje, em Lisboa.

Em entrevista à SIC, a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, afirmou "não ser relevante" a participação de "100 mil professores na marcha da indignação", em Lisboa, adiantando que o importante é "continuar a trabalhar para encontrar as melhores soluções".

Na "Marcha da Indignação", os docentes exigiram a demissão da ministra da Educação, a renegociação do Estatuto da Carreira Docente e a suspensão do processo de avaliação de desempenho.

A confirmar-se o número da organização, participaram na marcha 70 por cento dos docentes, o que representa mais de dois terços da classe profissional.

Existem em Portugal 143 mil docentes, segundo referiu esta semana a ministra da Educação.

PL/NS/MLS.

Lusa/Fim

Comentários

Critério de publicação de comentários

 

Banca de Jornais

 
 
 
 

Lusa